Ela chegou em nossas vidas em forma de presente. Veio pelas mãos de um amigo querido, e quando foi anunciada já estava devidamente instalada. Foi descrita com detalhes pelo presenteador, como decorativa, detentora de poderes medicinais além de muitas outras qualidades que nem poderiam ser contadas.

Agradecimentos devidamente feitos, presente aceito, a vida continuou sem que ninguém parasse para observar aquela plantinha.

O tempo passou, o amigo mudou para longe e o presentinho, carinhosamente a nós oferecido cresceu. Só aí, em pleno mês de agosto, mês de seca e vento, muito vento que vimos os efeitos do presente em nossas vidas.

Foi quando notamos que a casa havia sido invadida por folhas, pequeninas que de maneira indiscriminada ocupavam todos os lugares da casa, sem distinção. Tentávamos lutar contra a invasão, resistíamos bravamente, mas foi impossível, tivemos que simplesmente aprender a conviver com elas, ou será que tínhamos outra opção? E quando vieram as flores? Elas caiam da árvore, que nesse tempo já era imensa, dançando, em um balé sincronizando, em volta de si mesmas até chegar ao solo, formando um belíssimo tapete amarelo. Belíssimo e terrivelmente irritante, afinal elas caíam sem parar, transformando o objetivo de manter as calçadas limpas em uma verdadeira maratona inglória.

Apesar essa representante da mãe natureza em nossas vidas era capaz de proporcionar verdadeiros espetáculos. Nas alturas dos seus galhos passarinhos faceiros construíam ninhos, transformando nossa vizinha de frente em uma república barulhenta e festeira. Quando era noite de lua cheia e céu claro ela ficava imponente fazendo cena, transformando-se em bela fotografia, bem ali ao alcance de nossos olhos.

As pessoas ao passarem pela calçada olhavam admiradas o seu tamanho e majestade. Nessa hora os vizinhos começaram a se preocupar com sua presença ali tão próxima. Tinham medo de que ela caísse, machucasse as crianças, derrubasse a rede elétrica, casas. Enfim, causasse grandes prejuízos. Decidiram então chamar os responsáveis e cortar a árvore que eu chamava de minha.

Alcançar as alturas pode incomodar aqueles que não conseguem acompanhar o crescimento do belo. E quando esse incomodo torna-se insuportável o fraco consegue argumentos convincentes para destruir o majestoso que tão somente cumpre o seu papel da melhor maneira possível.

Vívian Antunes professora em Brasília.

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