Rio ? Do total de 5,7 mil municípios brasileiros, cerca de 4 mil estão com a economia estagnada ou em decadência; aproximadamente 800 vêm crescendo com equilíbrio e somente 200 (capitais, balneários ou municípios industriais) crescem economicamente a uma velocidade muito maior do que o restante. Os números fazem parte de um estudo que vem sendo realizado desde o início do ano pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em parceria com o Banco de Desenvolvimento do Estado do Espírito Santo (Bandes) para identificar as necessidades de investimentos nas cidades.

Os dados foram apresentados hoje (13) durante o primeiro seminário do projeto Qualicidades, que estuda formas de incentivar o desenvolvimento das cidades brasileiras. O diretor de Planejamento do BNDES, Antônio Barros de Castro, disse que o estudo, que deve estar concluído até julho de 2006, tem como foco o combate à crise urbana e compara experiências bem sucedidas ou não em diversas cidades. Segundo ele, a partir desta análise a instituição poderá saber onde direcionar os investimentos.

"Nossa grande premissa é que o poder local é fundamental no enfrentamento da questão urbana. Não vai ser Brasília que vai resolver cada questão urbana,", explicou Barros.

O coordenador do projeto Qualicidades, Luiz Paulo Vellozo Lucas, defende que as cidades tenham maior autonomia para decidir qual é o melhor caminho para o seu desenvolvimento. Lucas enfatizou que as cidades que têm as melhores taxas de desenvolvimento econômico são as que mais enfrentam problemas urbanos, como favelização, violência e desequilíbrio ambiental. Para estas cidades, conforme explicou, são necessários políticas públicas e investimentos em habitação, segurança e saneamento básico.

"Já para as cidades com a economia estagnada, cuja maioria depende da agricultura familiar, são necessários programas de financiamento para a irrigação da terra, para a compra de máquinas agrícolas e também para o armazenamento e escoamento da produção", acrescentou Lucas.

Na opinião do subchefe de Assuntos Federativos da Presidência da República, Vicente Trevas, o desenvolvimento dos municípios brasileiros tem que ser compartilhado entre a União, os Estados e as prefeituras. "Apesar das desigualdades entre os municípios, temos que compartilhar uma agenda entre os três níveis de governo para constituir mecanismos de cooperação visando à implementação de políticas públicas que combatam os problemas urbanos e rurais dos municípios", disse.