O álcool combustível foi o item que, individualmente, apresentou a maior contribuição de alta para o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) de janeiro. De acordo com a fundação, o preço do produto subiu 11,74% no mês passado, registrando um impacto de 0,06 ponto porcentual na inflação da capital paulista, que ficou em 0 66% em janeiro. Esta elevação fica ainda mais evidente quando se compara a alta do preço do combustível em dezembro, de 1,21%. Naquele mês, o preço da gasolina havia mostrado deflação de 0 31% e, em janeiro, a taxa continuou negativa, mas em desaceleração, em -0,10%.

Além disso, segundo a Fipe, a relação do preço do álcool com o da gasolina voltou a subir pela quinta semana consecutiva. Esta relação estava em 49,85% na terceira semana de dezembro; passou para 52,48% no fechamento daquele mês; atingiu 56,32% na primeira semana de janeiro, acelerou para 56,82% na segunda; avançou para 57,03% na terceira e 57,21%, na quarta.

Verificando-se apenas as variações do encerramento do mês, a marca de 56,80% atingida em janeiro de 2007 é a maior relação do preço do álcool ante a gasolina desde maio de 2006, quando estava em 58,45%. O pico desta amostragem elaborada pela Fipe desde o início de 2003, no entanto, foi verificado em março do ano passado, quando chegou a 71,48%.

O álcool passa por três fontes de pressão, como lembrou o pesquisador da fundação Juarez Rizzieri. O primeiro, e mais forte, é o período de entressafra de cana-de-açúcar. O segundo é a corrida nos Estados Unidos pela fabricação de biocombustível a partir do milho e o terceiro é a discussão no Japão a respeito do aumento uso de álcool na gasolina. Ele não acredita na continuidade de uma possível aceleração dos preços do álcool, mas espera que o patamar elevado se manterá nos próximos meses.