A deputada federal Marina Magessi (PPS-RJ) disse que a Polícia Federal está sendo usada com o vazamento de escutas telefônicas e do relatório reservado que levanta a suspeita de que sua campanha recebeu dinheiro do bicheiro Ailton Guimarães, o Capitão Guimarães, preso na Operação Furacão. Inspetora licenciada da Polícia Civil do Rio, ela atribuiu o vazamento a inimigos que fez na polícia e na política, mas não citou nomes.

"Até agora eu não vi a PF me acusando, mas sendo traída dentro dos seus quadros. Qual é o nome da PF que me acusa? O que está acontecendo é uma coisa muito suja de manipulação", disse a deputada. "Isso não é coisa de poderoso, é coisa de rato. Estão vazando relatoriozinho para alguém e sujando o nome de quem assina o relatório. É coisa de gente vendida lá dentro", afirmou na entrevista coletiva que convocou em sua casa, no Leblon (zona sul).

Segundo um relatório da PF, dois policiais civis ligados à inspetora teriam intermediado doações de pessoas ligadas ao Capitão Guimarães e seu sobrinho, Júlio Guimarães, também preso. Diante dos jornalistas que se espremiam no pequeno apartamento de um edifício antigo do bairro nobre (que ela diz alugar informalmente de um amigo), a deputada chegou às lágrimas ao negar novamente que tenha usado dinheiro de origem ilícita na campanha eleitoral.

Marina disse que os policiais Marco Antônio Brêtas, o Marcão, e Fernando Salsicha, que trabalhou com ela na Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), são apenas dois dos muitos policiais que doaram material ou colaboraram de alguma forma para sua eleição. Ela negou que os policiais se referissem a remessas de dinheiro nas conversas gravadas pela PF em que a voz dela aparece.

"Eu sempre trabalhei com grampo. Eu conheço. Sei o que se pode fazer com o grampo quando se coloca uma conversa fora do contexto", afirmou. A deputada disse nunca ter tido motivos para desconfiar de que policiais amigos possam ter buscado recursos ilícitos para ajudar em sua campanha. Marina reafirmou que gastou apenas os R$ 69,9 mil declarados à Justiça Eleitoral e exibiu cópia do contrato de comodato pelo qual teve de graça um imóvel para seu comitê, na Gávea (zona sul). O empréstimo, contou, foi obtido por um delegado amigo.

A deputada confirmou que, como indicam os grampos, convidou o inspetor Hélio Machado da Conceição, o Helinho, preso em dezembro pela PF na Operação Gladiador por suposta ligação com a máfia dos caça-níqueis, para ir à sua casa quando a prisão dele foi decretada. No entanto, negou ter oferecido refúgio ao foragido: "Falei para o Helinho: vem para cá, você vai se entregar comigo. Ele se entregou no dia seguinte. Não veio porque não quis. Ele me preservou."

Apesar de ter entrado para a política pelas mãos da ex-deputada Denise Frossard, que como juíza condenou à prisão a cúpula do jogo do bicho carioca em 1993, Marina disse não ter uma opinião formada sobre o jogo do bicho.

Procurada pelo Estado, Frossard, candidata derrotada pelo PPS ao governo do Estado, se disse surpresa com as suspeitas em torno de Marina. No entanto, ela prefere esperar a conclusão da investigação para tirar conclusões.

"Não fui avalista desta ou daquela candidatura. Convidei várias pessoas que, como ela, eu conhecia o trabalho e julgava que poderiam contribuir com a sociedade. Por isso estou surpresa e prefiro aguardar", disse Frossard.