Levantamento feito por técnicos da Comissão de Sindicância da Corregedoria da Câmara indica que ao menos mais dez deputados podem estar envolvidos na máfia dos sanguessugas. A base do rastreamento é cruzamento de dados do livro-caixa da Planam com nomes de assessores parlamentares que teriam recebido depósitos ou tinham dados bancários arquivados na contabilidade da empresa que atuava no esquema

Cerca de 50 funcionários de gabinetes foram listados. Hoje, a CPI deve começar a ouvir 31 deles. Segundo o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), depoimentos serão reservados e servirão para checar informações de propina a parlamentares.

A respeito de dois deputados – Nelson Bornier (PMDB-RJ) e Oliveira Filho (PL-PR) -, a verificação produziu coincidências. Bornier mantém em seu gabinete Luiz Marques Santos, o Lula, que teria recebido pelo menos R$ 20,6 mil. À época, Lula trabalhava para o então deputado Luizinho, do Rio. O próprio Bornier é mencionado no depoimento de Luiz Antônio Vedoin, dono da Planam, ao se referir a Nylton José Simões Filho – proprietário de instituto que recebeu verba de emendas de deputados do Rio. Vedoin disse que Simões "trabalhava" com oito deputados, entre eles Bornier. Entre papéis apreendidos pela Polícia Federal há alguns relacionados à prefeitura de Nova Iguaçu (RJ), datados da época em que o deputado era prefeito.

Oliveira Filho chegou a contar com dois funcionários cujos dados bancários estão registrados na Planam. Os documentos indicam que emendas suas destinadas à compra de ambulâncias e aparelhos foram monitoradas pela máfia.