Vestidas de preto, com rosas e fotografias de crianças mortas nas mãos, cerca de 150 mães da pequena Castilho, na região de Araçatuba, interior de São Paulo, foram às ruas nesta segunda-feira (7) para protestar contra a morte de crianças e recém-nascidos na Maternidade José Fortuna, a única da cidadezinha, de 15 mil habitantes. Nos dois últimos meses, quatro bebês morreram em circunstâncias suspeitas, dois deles de infecção generalizada. As mães acusam a maternidade de cometer negligência médica e de não controlar a infecção hospitalar.

Uma outra morte de uma criança retirada sem vida da barriga da mãe aconteceu justamente quando representantes das mães pediam ação dos diretores do hospital para evitar as mortes. As mães entregaram abaixo-assinado com um dossiê da situação à Câmara dos Vereadores e ao prefeito Joni Buzachero (PSDB), que prometeu tomar providências. Depois, as mães depositaram pequenos caixões na frente do hospital para simbolizar as mortes e entregaram às autoridades buquês com rosas vermelhas amarradas com os nomes dos bebês mortos.

Castilho tem uma das mais altas taxas de mortalidade infantil do Estado. Em 2004 foi de 27,7 para cada mil nascimentos e em 2005, de 33,9 para cada mil nascimentos. Em 2006, segundo a prefeitura a taxa foi de 23,3 por mil nascidos vivos.

O diretor do Departamento de Saúde de Castilho, Lourival da Cruz disse que a maternidade se recusa a repassar os registros de óbitos de três bebês mortos nas últimas semanas. "Precisamos desses documentos para investigarmos a responsabilidade sobre essas mortes", afirmou. Segundo ele, todas as mães passaram pelo pré-natal sem qualquer problemas. A direção do hospital não quis atender a imprensa.