O líder do PL na Câmara, deputado Sandro Mabel (GO), vai entregar daqui a pouco ao presidente da Casa, Severino Cavalcanti (PP-PE), ofício solicitando que o pedido de cassação de seu mandato seja encaminhado imediatamente ao Conselho de Ética da Câmara. "Não quero ser protegido. Quero ser inocentado o mais rapidamente possível porque tenho certeza de que sou inocente. Quero estar na frente da fila", disse Mabel.

O líder argumentou que a decisão de Severino ter encaminhado apenas quatro processos de cassação ao Conselho e ter segurado outros quatro na Mesa – entre os quais o dele e o do deputado José Dirceu (PT-SP), ex-ministro da Casa Civil – provocou um desgaste muito grande para ele e outros parlamentares.

"Tenho total segurança de que não há nenhuma acusação sustentável contra o meu nome, que não tem nada comprovado contra mim, e meu nome não está em nenhuma lista de depósito de alguma CPI", disse Mabel.

Ele atribuiu o pedido de cassação de seu mandato, encaminhado pelo presidente em exercício do PTB, Flávio Martinez a uma "vingança pessoal" do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) ex-presidente desse partido.

"Valdemar renunciou e sobrou para mim", disse Mabel, referindo-se ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que apresentou o pedido de cassação de Jefferson que já tramita no Conselho de Ética. Valdemar renunciou aos eu mandato no dia 1º de agosto, antes que o PTB pedisse sua cassação.

Mabel disse ainda que o desejo de vingança de Jefferson também se baseia no fato de o deputado do PTB ter tentado por duas vezes fazer um acordo com o PL para que o partido retirasse a representação contra ele no Conselho de Ética. Segundo Mabel, Jefferson queria, com esse acordo, poder renunciar e se candidatar a um novo mandato nas eleições do ano que vem. "Nunca aceitamos isso", afirmou Mabel.

A retirada do processo seria necessária porque, pelas regras em vigor, a renúncia feita depois do início de um processo de cassação não evita a perda dos direitos políticos do parlamentar casado. Mabel reafirmou que não renunciará ao seu mandato. "Quem não deve, não teme", disse o deputado.