Brasília – Ao receber o cargo de ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT) disse hoje (3) esperar que seu partido não atrapalhe o governo de coalizão. Presidente nacional do PDT, Lupi afirmou que tanto a ida dele para o ministério como o apoio no Congresso ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva têm respaldo da maior parte da legenda.

"Há uma deliberação aprovada por 85% do partido que coloca a gente num governo de coalizão, então a gente tem de ter responsabilidade sobre qualquer ato que tenhamos no Parlamento", ressaltou Lupi. Segundo ele, algumas questões podem ser discutidas internamente, mas os deputados e senadores deverão seguir a orientação do partido.

"O partido dará a direção e todos terão de acatar a determinação após uma discussão democrática", disse Lupi. E acrescentou : "É assim que funcionará".

Lupi afirmou que, como ministro, vai se esforçar para que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) seja aprovado no Congresso sem grandes mudanças em relação ao que foi enviado pelo governo. "Vamos trabalhar para aprovar o PAC com todo o empenho porque acho que esse é o momento em que o Estado brasileiro está mostrando, na prática, como quer se tornar uma locomotiva do investimento", destacou. Para Lupi, a aprovação do PAC é essencial para o governo.

O novo ministro do Trabalho defendeu ainda a destinação de parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para investimentos em infra-estrutura. Segundo ele, a medida não desvirtuará as finalidades do fundo, porque vai resultar na criação de empregos. "É claro que prioritariamente o FGTS tem de ajudar o desempregado, dar garantias ao trabalhador e aperfeiçoar a mão-de-obra. Agora, investimento em infra-estrutura também gera emprego e ajuda o trabalhador", avaliou o
ministro.

Em relação à greve dos controladores de vôo, Lupi descartou, por enquanto, a possibilidade de o Ministério do Trabalho se envolver nas negociações com a categoria. "Como a maioria dos controladores é militar, é a Aeronáutica que tem de tratar do caso, até por uma questão de hierarquia", salientou. "Agora, se o governo nos chamar para participar das negociações, estaremos à disposição".

Carlos Lupi substitui Luiz Marinho, que deixou o Ministério do Trabalho para assumir o da Previdência Social. Na despedida do cargo, Marinho fez um balanço da gestão e destacou a recuperação do valor do salário mínimo e o aumento do número de empregos com carteira assinada nos últimos anos.

Em relação ao mínimo, Marinho ressaltou que o salário de R$ 380, que vale desde o dia 1º, elevou o poder de compra do trabalhador. "Hoje, o mínimo compra 2,4 cestas básicas. Em março de 2003, comprava 1,3", comparou.

Sobre o mercado de trabalho, Marinho divulgou números do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged), que apontam a criação de 6,3 milhões de empregos formais nos últimos quatro anos. "A média mensal é de 124 mil postos de trabalho, superior à da década passada", afirmou.