“Volto ao Brasil com a alma lavada.” Foi assim que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou, hoje, em Berlim, sua participação no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. Em discurso para mais de 200 brasileiros na embaixada brasileira na capital alemã, Lula disse que foi à Suíca por que não é mais apenas um “militante de oposição”. “Sou o presidente de um país de 175 milhões de pessoas e não preciso apenas contestar, mas fazer aquilo que sempre acreditei quando era oposição em meu país”, afirmou Lula.

O presidente disse que, em seu discurso em Davos, falou “nem mais nem menos” daquilo que havia falado em Porto Alegre, no Fórum Social. “Não sou político de duas caras e duas personalidades. Foi uma coisa fantástica o que aconteceu em Davos. A sociologia não previa que um ser humano pudesse ser respeitado em Davos e em Porto Alegre. Mas o que ocorreu foi uma demonstração de que é plenamente possível construir uma relação civilizada, mesmo com aqueles que pensam de forma antagônica que nós”, disse Lula.

O brasileiro apontou que a seriedade e o respeito com os outros em Davos “valeram a pena”. “Para defender o país, conversarei com qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo. Entrarei e sairei de cabeça erguida, sem medo de que eu seja corrompido ou que sofra pressão”, disse.

Para Lula, porém, o Brasil e as demais nações em desenvolvimento precisam parar de culpar os países ricos por seus problemas. “Somos nós que temos que fazer nossa riqueza, perceber onde estão nossos erros. Os problemas e soluções estão dentro do Brasil e não fora”, disse.

O presidente apontou que os países ricos conquistaram seus espaços. “Temos agora que criar nossas chances. Estou convencido de que ninguém dará o que precisamos de graça. Somos nós que precisamos construir o que Brasil que queremos”, concluiu Lula.

Lula deixa, amanhã, Berlim com uma promessa do presidente da Alemanha, Johannes Rau, de que poderá ajudar no Programa Fome Zero, uma das principais iniciativas do governo. Em uma reunião, hoje, em que Lula foi recebido com honras militares, Rau informou ao presidente brasileiro de que é membro de uma organização que tem, como finalidade, ajudar programas sociais. Os dois líderes ficaram de debater, nos próximos meses, de que forma a Alemanha poderia participar do Programa Fome Zero.

O presidente convidou Rau a visitar o Brasil e pediu que os alemães, que já foram os segundo maiores investidores do País, voltem a olhar para as oportunidades de investimentos no Brasil. Hoje, os alemães têm investimentos calculados em US$ 15 bilhões no Brasil, mas tem perdido espaço para os espanhóis.