O presidente Lula poderá testar hoje a eficácia de sua base de apoio pós-reeleição na Câmara, com a votação da medida provisória que reajusta em 5,01% as aposentadorias acima de um salário mínimo pagas pela Previdência Social. O PFL vai defender um índice maior, de 16,67%. A MP dos aposentados é o terceiro item da pauta da sessão de hoje do plenário da Câmara.

A votação já deverá refletir as negociações do presidente na composição de seu ministério e a expectativa é que o bloco governista aprove a MP sem a alteração proposta pela oposição – uma demonstração de lealdade que aumentaria o cacife dos aliados na partilha do poder. "Cada partido da base vai querer ocupar seu espaço", avaliou o líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ) ao afirmar que manterá a sua proposta de elevar o índice de reajuste.

Mesmo assim, para evitar surpresas, o líder do governo na Câmara Arlindo Chinaglia (PT-SP), vai reunir os líderes dos partidos aliados pouco antes da sessão. Alguns deles esperam que Lula faça – ainda antes da votação – algum aceno quanto ao espaço que terão as legendas.

Apesar de a temporada de divisão de poder ter sido aberta, o líder do PT, deputado Henrique Fontana (RS), prefere evitar o assunto. "O momento é de compor e não de botar os votos na mesa para medir o tamanho de cada um", afirmou. Fontana disse que vai tentar convencer o PFL a retirar a proposta dos 16,67%, para que não haja disputa no plenário. "Espero sensibilizar o PFL. Para que transformar uma semana produtiva, na qual poderemos dar uma resposta à sociedade, em uma disputa para fazer uma divisão artificial do plenário?", argumentou o petista.