O presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou a sua equipe a preparar medidas ousadas para garantir crescimento da economia brasileira nos próximos quatro anos em patamar de pelo menos 5% ao ano, informou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo o ministro, o presidente não quer correr o risco de o País não alcançar uma velocidade com vigor necessário para esse crescimento. Em entrevista após reunião com o presidente Lula, Mantega informou que decisões não foram tomadas hoje. Ele assegurou que medidas serão tomadas ainda em 2006 para antecipar os efeitos já para 2007.

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Mantega informou que serão medidas na área de infra-estrutura, desoneração tributária, reforma tributária, ajuste fiscal e mudanças na legislação que eliminem os entraves para o crescimento.

Serão marcadas novas reuniões na próxima semana. A primeira será na próxima terça-feira para discussão de medidas sobre infra-estrutura, como o aumento da oferta de energia, e na quarta-feira serão debatidas medidas na área de tributação. Nesse ínterim, disse o ministro, será marcada uma reunião com o presidente Lula, integrantes do governo e o ministro da Previdência, Nelson Machado, para debater medidas na área da Previdência.

Mantega assegurou que, na reunião desta terça-feira (14), o tema previdência não foi debatido. Mas questionado se teria proposto ao presidente uma medida para desvincular o salário mínimo dos benefícios da Previdência, Mantega foi categórico: "Não propus". O ministro disse que há espaço, porém, para o aumento do salário mínimo real. Ele disse que se o aumento vai ser Y, X ou Z, isso não foi discutido.

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Reforma tributária

Lula quer uma reforma tributária mais ousada do que o texto que está em tramitação no Congresso Nacional, disse Mantega. Segundo o ministro, a proposta é tímida em relação ao que o País precisa. Ele informou que o presidente orientou a equipe a conversar com os governadores e parlamentares para discutir uma proposta mais sofisticada.

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Segundo o ministro, há uma pressão forte da sociedade para que a reforma tributária se realize. "Temos força política e há sensibilidade de governadores eleitos e deputados. O presidente pediu que conversássemos desde já", afirmou, em entrevista concedida no saguão do Palácio do Planalto, após reunião com o presidente, em que participaram também os ministros do Planejamento, Paulo Bernardo; da Casa Civil, Dilma Rousseff; e o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Ivan Ramalho; além de equipe técnica dos ministérios.

Ele disse que apenas a modificação da legislação do ICMS é insuficiente, que é preciso definir melhor a questão da tributação no destino e origem. Informou ainda que na área de desoneração tributária foram apresentadas oito medidas, mas preferiu não detalhá-las. Disse que alternativas de desoneração "A, B, C e D" foram apresentadas ao presidente, além de uma proposta para a reforma tributária.

Redutor de gastos

Mantega confirmou que a equipe econômica estuda a aplicação de um redutor de 0,2% do PIB nos gastos correntes do governo. Ele, porém, não especificou o prazo a partir do qual esse mecanismo seria implementado. E ressaltou que o tema ainda está em análise pelo presidente Lula.

O ministro comentou, porém, que a aplicação desse redutor abriria espaço para o aumento no investimento público, considerado fundamental para o crescimento econômico do País.

Despesas limitadas

O ministro da Fazenda informou ainda que propôs ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o estabelecimento de limites para expansão das despesas do governo, como de pessoal e saúde. Ele disse que não se trata de redução dos gastos, mas de evitar que elas cresçam numa velocidade maior do que à da expansão da economia. Ele não informou como será este limite e nem como ele será adotado, mas disse que o governo quer que o limite seja fixado pelo Legislativo, Executivo e Judiciário.

Há também uma proposta de que também sejam fixados limites para Estados e municípios. Para a melhoria da gestão do governo, o ministro disse que propôs que os programas acima de R$ 100 milhões tenham um acompanhamento minucioso e que a liberação de recursos para estes esteja condicionada a metas. Questionado se isso já não era feito pelo governo, ele respondeu que não nestes moldes.