O líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), confirmou que o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) falou sobre "aliciamento de deputados" ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reunião em março deste ano. Também estavam presentes, segundo Chinaglia, o ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, o ex-ministro da Articulação Política deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), e o líder do PTB, deputado José Múcio Monteiro.

"A reunião já havia terminado, aquilo causou surpresa e o presidente Lula se sentiu impelido a dar algum tipo de resposta, então pediu a mim e ao ministro Aldo para apurarmos", contou em seu depoimento ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar a Câmara dos Deputados, na noite desta terça-feira (13).Chinaglia foi convidado a depor como testemunha de defesa do deputado José Dirceu (PT-SP), que está respondendo à representação por quebra de decoro parlamentar.

Segundo o líder do governo na Câmara, Jefferson não deu detalhes nem referiu-se à compra de votos. Tampouco mencionou se quem pagaria propina seria o governo ou o partido. "Ele falou que , através de dinheiro, haveria cooptação de deputado. A impressão que fiquei, na ocasião, foi de que se referia a dinheiro para atrair deputados de um partido para outro", afirmou. "Lamentavelmente não dei muito crédito", reconheceu.

Chinaglia disse que considerou a abordagem de Jefferson "inoportuna" pois o deputado não apresentou "algo consistente". Além disso, Chinaglia acha que Jefferson, enquanto deputado, deveria ter usado a Tribuna para fazer a denúncia em vez de transferir a responsabilidade pelo que sabia ao presidente da República.

O líder do governo contou, ainda, que a partir da denúncia do deputado do PTB foi ver como estava o andamento da denúncia sobre pagamento de propina a deputados, que teria sido feita pelo ex-ministro das Comunicações Miro Teixeira ao Jornal do Brasil em setembro de 2004. Na época, Teixeira desmentiu a reportagem, mas o presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP), determinou à Corregedoria e à Procuradoria da Câmara que apurassem as denúncias. "Estava arquivado e considerei o assunto encerrado", disse Chinaglia ao Conselho de Ética. Segundo ele, o assunto só voltou a tona com as denúncias de Roberto Jefferson, em junho deste ano.