O presidente Luiz Inácio Lula da Silva interveio neste sábado (4) para estancar a crise entre a Força Aérea e o Ministério da Defesa, agravada pela decisão do ministro Waldir Pires de se reunir na quinta-feira com os dirigentes do sindicato dos controladores de vôo civis e anunciar a possibilidade de conceder uma gratificação salarial de até 40%. Horas antes, numa atitude extremada, o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos Bueno, que faz campanha para permanecer no posto no segundo mandato de Lula, havia convocado todos os controladores, aquartelando-os nas torres de controle de vôo do Aeroporto de Brasília, e ameaçando-os com a Corte Marcial em caso de desobediência.

Da Bahia, onde descansa, Lula determinou à ministra Dilma Rousseff que conversasse com Waldir Pires e Bueno, chamando-os a acabar com as rusgas que podem, em última instância, provocar uma crise militar. Bueno tem acusado Pires de incentivar a anarquia e abrir graves precedentes na Força Aérea, alegando que a atitude do ministro de oferecer aumento de salário para os controladores de vôo e de negociar com um grupo de sargentos pode romper a hierarquia militar.

Nas conversas com a ministra da Casa Civil, Waldir Pires se justificou. Disse que não pretende anarquizar os meios militares; apenas está preocupado em resolver os problemas dos aeroportos. Já Luiz Carlos Bueno afirmou que, embora esteja "magoado, triste, chateado e abatido", deve lealdade ao presidente Lula. Bueno teme perder, com a crise dos aeroportos, a condição de favorito de Lula para a escolha do comandante da Aeronáutica.

Dilma Rousseff convocou uma reunião para terça-feira, na tentativa de resolver de vez o problema do caos nos aeroportos. A princípio, deverão participar ela o ministro Waldir Pires, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e representantes do Sindicato dos Controladores de Vôo. O ministro Bueno pediu para que a Aeronáutica seja incluída também. De acordo com informações da Aeronáutica, Bueno acha que não tem sentido uma reunião destas sem a participação da Força Aérea, à qual pertencem 80% dos controladores de vôo.

Volta do feriado

Depois de conversarem com Dilma Rousseff, Waldir Pires e Luiz Carlos Bueno falaram sobre as expectativas para o domingo e a segunda-feira, quando milhares de passageiros retornarão do feriadão e o caos nos aeroportos poderá ocorrer novamente. Os dois concordaram que o sucesso ou insucesso das providências tomadas por Bueno – como a de convocar todos os controladores de vôo militares – será importante para o futuro das relações entre a Defesa e a Força Aérea. Pires é a favor do diálogo; Bueno, de uma atitude mais drástica.

O comandante da Aeronáutica tem dito que a sua decisão de aquartelar os controladores de vôo ocorreu porque se viu isolado diante do grande caos verificado nos aeroportos. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) omitiu-se diante da crise; o Ministério da Defesa preferiu entrar em negociações com o Sindicato dos Controladores de Vôo, mas ninguém se preocupou com o que acontecia naquele momento nos aeroportos, em que passageiros ameaçavam fisicamente os funcionários das empresas aéreas. Restou a ele, portanto, fazer na marra a convocação dos controladores de vôo.