São Paulo, 23 (AE) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje, durante inauguração do Museu Afro-Brasil, no Parque do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, que o governo já tem dinheiro para levar às comunidades quilombolas e indígenas e aos acampamentos de sem-terra saúde, educação, saneamento básico saúde bucal, luz e o programa Bolsa-Família. “Isso não custa caro, não custa muito dinheiro. É só os ministros prepararem o pacote”, disse Lula.

A cerimônia de inauguração do Museu Afro-Brasil serviu também para a volta da ex-ministra Benedita da Silva aos palanques do governo. Desde sua demissão, em janeiro, Benedita não aparecia nas cerimônias oficiais. Mas, durante a visita ao museu, ela ficou distante de Lula, da primeira-dama Marisa Letícia e dos senadores Aloizio Mercadante e Eduardo Suplicy, que posaram para uma foto oficial em frente a um grande painel com um navio negreiro. O senador Suplicy percebeu que Benedita tinha ficado para trás e a puxou para junto do grupo, mas foi tarde. Quando a ex-ministra chegou, Lula saiu.

Diante de uma platéia de maioria negra, o presidente prometeu que vai continuar na defesa do sistema de cotas para os afrodescendentes. Anunciou que no ano que vem tem início o Universidade para Todos, em que as universidades particulares que aderirem ao programa vão destinar 10% de suas vagas para bolsas integrais a carentes. Lembrou que o Congresso debate projeto de lei que destina metade das vagas das universidades para alunos que saírem de escolas públicas. Essas vagas serão distribuídas ainda a afrodescendentes e indígenas.

“O Oceano Atlântico não existe para dividir, mas para unir Brasil e África”, discursou, lembrando que foi o único presidente da história do País a visitar sete países do continente. Até o fim do mandato, Lula pretende visitar mais 10 países africanos.

O presidente evitou falar da prefeita licenciada de São Paulo, Marta Suplicy(PT), mas não esqueceu de mencioná-la durante seus agradecimentos. O museu é fruto de parcerias da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente com o Ministério da Cultura, a Petrobras e outros institutos. Diferente de Lula, o secretário municipal da Cultura, Celso Frateschi, citou Marta várias vezes em seu discurso, sendo ovacionado pela animada militância petista que participava do evento.