Sempre tentando se manter distante do foco das denúncias de corrupção que recaíram sobre seu governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrentou hoje uma saia justa por conta da presença, em seu palanque, de um dos principais envolvidos no escândalo do mensalão, o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP).

Enquanto discursava no principal reduto eleitoral de Cunha, na cidade de Osasco (SP), em favor dos postulantes petistas à Câmara e à Assembléia Legislativa, Lula, que não citou o nome de nenhum candidato a deputado, foi obrigado a silenciar enquanto a multidão gritava insistentemente o nome do ex-presidente da Câmara, que escapou da cassação em abril, quando o plenário da Casa o absolveu, apesar do parecer do Conselho de Ética favorável à perda do seu mandato.

"Se tivesse tanta gente assim gritando meu nome, eu já estava eleito", disse Lula, para a multidão que segurava dezenas de bandeiras com o nome de João Paulo Cunha que, curiosamente, não remetiam ao famoso vermelho do PT, a exemplo dos tons que estampam o material da campanha presidencial. Mesmo em meio aos gritos, o ex-deputado manteve-se em seu lugar, no fundo do palco praticamente invisível aos olhos de boa parte das pessoas que assistiam ao comício.