Pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha em março revelou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem a aprovação de 55% da população brasileira. Essa aprovação é a maior em seus cinco anos e três meses de governo. O índice supera o conseguido por todos os seus antecessores desde Fernando Collor de Mello, que governou de 1990 a 1992, quando sofreu ?impeachment?.

Qual seria a posição de Lula no ?ranking? dos presidentes de todos os países das Américas? A impressão que aqui se tem, dada a euforia com que os lulistas falam de seu governo e seus feitos, é de que tem a liderança do continente ou pelo menos da América do Sul.

No mais, posicionamentos de liderança assumidos pelo presidente brasileiro fazem supor uma cômoda colocação em primeiro ou na pior das hipóteses um segundo ou terceiro lugares. Lula tem percorrido o mundo de norte a sul, de leste a oeste, não deixando nenhum continente de fora, pregando suas idéias e impondo a presença brasileira, o que lhe tem valido críticas internas, elogios e, não raro, dissabores.

O Instituto Consulta Mitofsky, que tem sede no México, acaba de elaborar o ?ranking? dos presidentes da América. Em se tratando do Brasil, usou exatamente aquela pesquisa do Datafolha que evidenciava a forte popularidade do governo Lula, sobrepondo-o aos seus antecessores.

O resultado para muita gente é uma surpresa. O mais popular dos presidentes americanos é Álvaro Uribe, da Colômbia, exatamente o chefe de Estado execrado pelas esquerdas durante as escaramuças sobre a soltura dos seqüestrados das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Recorde-se que na ocasião Uribe mandou atacar os seqüestradores em território Equatoriano, criando uma situação tensa e armada na sua fronteira com aquele país andino e com a Venezuela, cujo presidente, o atrabiliário Hugo Chávez, postava-se como mediador e chegou a ameaçar uma guerra em plena América Latina. O caso foi parar na Organização dos Estados Americanos (OEA) onde lhe puseram panos quentes.

No jargão dos grupos políticos ideológicos, Uribe é considerado um presidente de direita. Mas tem o apoio de 84% dos colombianos.

Em segundo lugar na lista aparece o presidente do Equador Rafael Correa, com 62% de aprovação popular. No episódio do ataque aos guerrilheiros esteve contra Uribe e teve a seu lado Chávez. Mas está longe de ser um governante de esquerda.

Felipe Calderón, do México, aparece em terceiro com 61% das preferências de seus conterrâneos.

Também estão à frente de Lula o presidente de El Salvador, Elias Saca, com 59% das preferências do seu povo e o nosso vizinho boliviano Evo Morales, conhecido como o cocaleiro, com 56%. Morales é sim um governante de esquerda que tem revelado um nacionalismo exacerbado e nos brindado com algumas surpresas embaraçosas, notadamente no que se refere ao petróleo e gás natural que fornece ao Brasil, produz com capitais brasileiros, mas ultimamente tem unilateralmente rompido contratos e criado situações de difícil composição.

O pretensioso presidente venezuelano Hugo Chávez, que chegou a pretender um terceiro mandato, posou de principal líder da América Latina e inventou uma ?Revolução Bolivariana? de esquerda, armado com o petróleo que seu país produz em abundância, mesmo tendo desafiado os Estados Unidos, o que é muito do agrado das massas, está em oitavo lugar. Ele tem aprovação de 51% da população do seu país.

A posição de George W. Bush, dos Estados Unidos, não surpreende. É sabido que seu governo é impopular, principalmente por sua presença nas guerras do Afganistão e Iraque. Aparece na lista em 16.º lugar, com 30% de apoio popular. Cristina Kirchner, da Argentina, ocupa a 11.ª colocação, a chilena Michellle Bachellert, a 12.ª, ambas com percentuais um pouco abaixo de 50%.

A última colocação coube ao paraguaio Nicanor Duarte, em 19.º lugar, aprovado por apenas 5% da população, o que justifica o fato de não ter conseguido fazer seu sucessor e ter sido o último dos colorados em mais de sessenta anos de governo no país vizinho.