O presidente Luiz Inácio Lula da Silva duvidou nesta quinta-feira (03) da isenção dos atuais deputados federais e senadores para fazer as mudanças políticas exigidas pela sociedade. Em defesa da proposta de convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte exclusiva para promover a reforma política, Lula disse que os parlamentares legislariam em causa própria. "Não sei se as pessoas que estão legislando em causa própria podem fazer a reforma de que a sociedade precisa.

Lula voltou a defender que outras pessoas, além dos congressistas, discutam e votem as modificações que atingirão os detentores de mandatos eletivos. O presidente defendeu uma reforma política "profunda", que vá do "financiamento de campanha ao comportamento dos partidos políticos". Também reagiu com ironia às críticas de oposicionistas à idéia da Constituinte após encontro com representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

"Saiu a idéia de que, se a sociedade brasileira, através de suas entidades organizadas, exigisse que se fizesse uma proposta, uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) pedindo uma Constituinte só para a reforma política, o governo poderia ser o indutor da idéia", explicou. "Mas isso é o de menos. Precisamos de uma reforma política profunda no País. É preciso que a gente dê respeitabilidade à política brasileira." O presidente lembrou que a proposta foi levantada numa reunião sua com "juristas importantes do Brasil", entre eles ex-presidentes da OAB como Marcelo Lavenère e Seabra Fagundes.

Inspeção – Lula fez hoje uma "visita de inspeção" às obras das plataformas P-51 e P-52 da Petrobrás no estaleiro BrasFELS, em Angra dos Reis, no litoral sul-fluminense. Atento às limitações que a legislação eleitoral impõe, o presidente não discursou no espaço nas áreas onde os jornalistas tiveram acesso e sua assessoria procurou dar clima de trabalho ao evento. A construção da maior parte das duas plataformas no Brasil foi promessa de sua campanha de 2002 e iniciada em seu governo.