O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu ontem à noite o discurso desenvolvimentista e reafirmou seu compromisso com o crescimento econômico. Para uma platéia de empresários, ele repetiu que não acredita em fórmulas mágicas para fazer o País crescer, mas insistiu em que o avanço da economia estará em suas prioridades no novo mandato. ?Tenho consciência, muito mais do que consciência, sinto a necessidade de fazer com que este país cresça?, disse. ?O crescimento vai ajudar. O povo sendo ajudado vai ajudar a classe média, a classe média sendo ajudada vai ajudar os empresários, os empresários sendo ajudados vão ajudar todo mundo a viver bem.

Feitas na entrega do prêmio ?As Empresas Mais Admiradas? no Brasil, da revista "Carta Capital", as declarações de Lula foram uma resposta à cobrança feita pelo presidente da Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, um dos homenageados. Em seu discurso, Gerdau mandou um recado ao governo, afirmando que a maior preocupação do País é o crescimento. ?Temos que buscar um crescimento de no mínimo 5% do Produto Interno Bruto (PIB) ao ano.? Para ele, só assim será possível criar mais empregos e reduzir de fato as desigualdades sociais. Gerdau já foi citado como possível candidato a integrar a equipe econômica de Lula, que gostaria de contar com seus conselhos no segundo mandato

Ao discursar, Lula respondeu que, se fosse possível, decretaria um crescimento de 7% para o Brasil por meio de medida provisória. Mas, como essa não é uma alternativa, prefere buscar caminhos para um avanço mais sólido na economia. ?Eu não acredito em mágica. Eu acredito em seriedade. Até porque o crescimento que nós queremos para o Brasil não vai se dar em um mandato presidencial. É preciso que a gente pense numa geração.Ou quem sabe até um pouco mais, se quisermos fazer uma coisa sólida, madura, que não tenha retorno.

Lula aproveitou para fazer mais uma cobrança ao empresariado. Disse que nas eleições foi vítima de uma ?hipocrisia? e reivindicou os votos destinados ao rival tucano, Geraldo Alckmin pelos empresários. ?Eu penso que de vez em quando a humanidade precisa deixar a hipocrisia um pouco de lado e temos que ser mais verdadeiros?, disse. ?Veja que absurdo. Eu faço uma campanha em que eu era obrigado a defender os bancos. E os meus adversários criticavam os bancos e vocês votavam neles e não em mim.