Quatro dias depois de devolver ao PMDB o comando dos Correios, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu ontem as críticas de que aderiu de vez ao fisiologismo com um argumento singelo: não responderá por escândalos e deslizes cometidos em áreas de seu governo controladas por outros partidos. Poucas horas antes de jantar na Granja do Torto com representantes de pelo menos 19 dos 27 diretórios do PMDB que lançaram o Movimento Pró-Lula, em apoio à sua reeleição, o presidente deixou claro que o partido terá de assumir integralmente a responsabilidade pelo que vier a ocorrer em sua órbita de atuação no governo

"É mais que justo que o partido que tenha um ministro no governo seja o responsável por todo o ministério", disse Lula, ao ser abordado por jornalistas após almoço oferecido ao presidente de Gana, John Agyekum Kufuor, no Itamaraty. Ao mencionar sua proposta de "governo de coalizão", tendo o PMDB como parceiro preferencial, Lula citou o ministro das Comunicações, Hélio Costa, como exemplo do que almeja para um eventual segundo mandato

"Ele é do PMDB. Se tiver qualquer problema, o ministro será o responsável. O mesmo vale para a Saúde", insistiu. No caso da Saúde, o PMDB pressiona o Palácio do Planalto para assentar na cadeira de ministro o atual presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Paulo Lustosa, que ocuparia o lugar do atual titular, José Agenor da Silva. Até agora, o PT conseguiu barrar a indicação de Lustosa

Antes do jantar, o líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB), informou que Lula, além de receber o "apoio integral" de 19 diretórios do partido, terá a ajuda de dissidentes de seções da legenda em Estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Suassuna não soube dizer, no entanto, quem será o representante do PMDB na coordenação da campanha de Lula. "Nós somos os noivos e ainda não recebemos o convite. Se formos convidados, conversaremos sobre o assunto.