Brasília ? O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (28) que não irá entrar em discórdia com o colega boliviano, Evo Morales. A Bolívia tem pressionado as empresas petrolíferas que estão no país a pagarem mais impostos, incluindo a brasileira Petrobras.

"Eu não quero é que o Brasil perca agora, eu não quero que o Brasil tenha nenhum problema nesse mar de tranqüilidade que estamos vivendo", disse Lula depois de visitar o Feirão da Casa Própria, realizado pela Caixa Econômica Federal, na capital paulista.

"Até agora, estou terminando o meu mandato, e não briguei com ninguém. Quando eu tomei posse diziam que eu ia brigar com os Estados Unidos. Eu nunca briguei com os Estados Unidos, temos uma relação extraordinária. Por que eu iria brigar com o Evo Morales? Porque eu iria brigar com o Kirchner ( presidente argentino)? Por que eu iria brigar com o Chávez ( presidente venezuelano)? Se existem divergências, temos que sentar numa mesa e fazer acordo. É assim que nós vamos resolver o problema", acrescentou.

Ele afirmou compreender a postura dura de Morales em defender seu país. "A Bolívia vive uma situação de pobreza muito grande, é justo que o presidente da Bolívia defenda os interesses de melhorar a qualidade de vida do seu povo".

Lula disse que pretende se reunir com Morales para chegar a um acordo e informou que empresários, a Petrobras e o próprio presidente boliviano ainda não o procuraram para debater o assunto. "Na hora em que as pessoas procurarem, nós vamos sentar e podem ficar certos que será resolvido porque na minha mesa não fica uma pendência por muito tempo, sobretudo quando se trata de fazer acordo".

Sobre o gasoduto que ligará Brasil, Argentina e Venezuela, Lula disse que a obra será "o projeto do século" e destacou que a Bolívia e outros países devem participar da iniciativa. "A Bolívia tem que participar porque é fornecedora de gás, como a Venezuela".