O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou hoje, em São Bernardo do Campo, no Grande ABC (SP), que não é mais possível que alguém defenda a atual estrutura sindical brasileira.

Segundo Lula, da forma que está, é uma cópia fiel da Carta del Lavoro, do ex-ditador da Itália Benito Mussolini. "As reformas são necessárias e espero que o movimento sindical me convoque para discutir as coisas que precisam ser feitas", disse em evento na Volkswagen.

Durante discurso, ele ouviu protestos dos trabalhadores da empresa, que, por meio de faixas, cobravam a correção da tabela do Imposto de Renda (IR) e uma reforma sindical e trabalhista que preserve os direitos dos trabalhadores.

Lula disse que o governo ajudou a consolidar o processo democrático, algo que permite aos trabalhadores levantarem faixas para serem vistas por todos, numa alusão ao protesto dos metalúrgicos da montadora.

Em contrapartida à defesa da mudança sindical feita pelo presidente, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) afirmou que este não é o melhor momento para discutir reforma.

"Apesar de a estrutura sindical precisar ser renovada, não é bom para o partido e para o governo tocar o assunto à frente porque há uma certa instabilidade política no Congresso e é um assunto que não agrega, divide."

Para João Paulo, o assunto também não tem consenso nas principais entidades sindicais do País, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical. De acordo com ele, o tema também não tem alcançado a compreensão da sociedade.