O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira (13) em solenidade no Palácio do Planalto que os bancos oficiais não dava prioridade aos pobres. "Muita gente no Banco do Brasil, por exemplo, tinha a cultura política de não dar prioridade para os pequenos, apenas para aqueles que contraíam empréstimos e não pagavam", afirmou.

A declaração do presidente foi feita numa cerimônia em que assinou três decretos desapropriando uma área total de 8 mil hectares na zona da mata pernambucana, antigo complexo da usina Catende. Lula relatou uma visita que fez à usina – marcada por conflitos no campo – em 1999 e ficou assustado com a megalomania dos proprietários, que teriam obtido do Banco do Brasil empréstimo equivalente a R$ 400 milhões, sendo que o patrimônio líquido da propriedade era de apenas R$ 60 milhões. "Como pode alguém conseguir empréstimo do banco do Brasil equivalente a seis vezes o valor do patrimônio?", questionou.

Durante a solenidade, Lula fez referência ao ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes, que participou das negociações para a desapropriação da área. O neto de Arraes, candidato favorito no segundo turno na disputa pelo governo de Pernambuco, deputado Eduardo Campos (PSB-PE), participou da solenidade no Palácio do Planalto. Como forma de negar o caráter eleitoreiro da solenidade, Lula disse que queria esperar o fim do processo eleitoral para visitar a usina e anunciar a desapropriação.

"Não existe neste mundo de Deus ninguém mais superior a ninguém e nem mais inteligente que ninguém. Agora, os trabalhadores vão começar a sentir o cheirinho da terra deles e ver que valeu a penas enfrentar a política, determinados tipos de políticos e as injúrias", disse o presidente. Lula afirmou que não fez tudo o que pretendia na área da reforma agrária mas destacou ter feito mais que seus antecessores. Ele argumentou que ao assumir o governo em 2003 encontrou o Incra, órgão responsável pela desapropriação de terra, em situação precária.