Em seu discurso na reunião de cúpula do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que "precisamos adequar o Conselho de Segurança às exigências políticas e econômicas de um mundo em profunda transformação".Lula lembrou que em 2000 o encontro de cúpula do Conselho de Segurança coincidiu com atos de brutal violência movidos pela intolerância racial e religiosa.

"Buscava-se aprender as lições das guerras civis na ex-Iugoslávia e em Ruanda para recuperar a capacidade da Organização de conter abusos maciços ao direitos humanos. Hoje, estamos confrontados a ameaças cada vez mais complexas", declarou Lula. Esta é a terceira reunião de cúpula do Conselho de Segurança em 60 anos de existência. As outras aconteceram em 1992 e em 2000.

O presidente iniciou o seu discurso congratulando a iniciativa de se convocar esta reunião, "em um momento crucial para o futuro das Nações Unidas".

Lula observou que se intensificam os esforços para se fortalecer a ONU e seus órgãos principais. O presidente Lula disse que os dois projetos de resolução sobre a mesa são a tentativa de dar respostas aos desafios com os quais a ONU se depara.

"Atos bárbaros de terrorismo continuam sendo perpetrados contra inocentes e indefesos. O combate a esse flagelo exige firmeza. Mas não o derrotaremos apenas pela repressão. Precisamos evitar que o terrorismo crie raízes em meio à desesperança", disse Lula. Ele ressaltou ainda que é preciso rejeitar o preconceito e a discriminação, "sob qualquer disfarce ou pretexto".

Segundo o presidente no combate à violência irracional as melhores armas são a cultura do diálogo, a promoção do desenvolvimento e a defesa intransigente dos direitos humanos. O presidente Lula também exortou o Conselho de Segurança a continuar a dedicar amplo espaço em sua pauta às questões africanas.

"Nos 14 países africanos que já visitei e nos numerosos contatos em Brasília com lideranças do Continente pude comprovar o importante progresso institucional e econômico em curso na região. A decidida vontade política de suas lideranças de superar os conflitos do presente e lidar com a herança de um passado de dependência tem sua melhor expressão na criação da União Africana."

"Esse exemplo merece ser acompanhado por todas as regiões que almejam integrar-se de forma soberana e pacífica na comunidade internacional", disse.