Brasília (AE) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou luto oficial de três dias em homenagem ao deputado e ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes e viaja amanhã (14) a Recife para comparecer ao velório. O sepultamento será hoje, no Cemitério de Santo Amaro, no centro do Recife. "A morte do deputado federal e ex-governador Miguel Arraes é uma enorme perda para o povo brasileiro", disse a nota distribuída hoje pelo Palácio do Planalto.

"Arraes foi, sem dúvida, uma das maiores lideranças das lutas populares que marcaram a segunda metade do século XX no Brasil", diz a nota. "Por isso, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, quer manifestar não só seu pesar pessoal pela perda de um amigo, mas também grande tristeza pela ausência de um companheiro que, com sua experiência, sabedoria e capacidade de resistência, fará muita falta no trabalho em favor da justiça social em nosso País" .

O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), lamentou em nota a morte de Arraes, ressaltando que o presidente do PSB "sempre foi um referencial ético entre os homens públicos". Severino considerou Arraes um dos principais personagens políticos da história de Pernambuco: "Geralmente em lados opostos, pudemos confrontar nossas idéias dentro do que há de mais nobre na retórica política."

Segundo a nota, "homens como ele nos fazem entender que o importante na luta é a convicção de ideais e a busca incessante pelo cumprimento do que acreditamos, juntamente com aqueles que confiam em nós". Diz a nota que "torna-se ainda mais penosa a perda de Arraes no momento político que atravessamos. Sua presença sempre foi referencial para a ética entre os homens públicos."

O governador Geraldo Alckmin, de São Paulo, também distribuiu uma nota oficial lamentando a morte de Arraes. O site oficial do governo do Estado registrou que "Miguel Arraes é um nome que faz parte da História do Brasil. Três vezes governador de Pernambuco, foi vítima do arbítrio político e expoente das lutas sociais no Nordeste. Foi um homem de caráter e coerente com as suas idéias, e coerência é uma qualidade em falta no Brasil. O País vai sentir a sua falta."

A governadora Rosinha Matheus, do Rio de Janeiro, também distribuiu nota em que frisou: "O governo do Estado do Rio de Janeiro lamenta a perda de uma das mais importantes personalidades da política brasileira, que lutou durante toda a vida pela população de seu estado. Sua atuação em defesa da democracia e dos interesses nacionais ficará como exemplo para as futuras gerações".

O prefeito José Serra, de São Paulo, se preparava hoje à tarde para ir ao sepultamento de Arraes. Um dos raros líderes nacionais que já tinha atuação política em 1964, Serra disse que "Arraes foi um dos homens mais importantes da vida pública brasileira. Antes do golpe de 64, ele já era um dos principais dirigentes de esquerda no Brasil. Depois veio o golpe, ele foi perseguido e viveu 14 anos no exílio."

E prosseguiu: "A morte de Arraes é uma perda muito grande para a política brasileira e para Pernambuco. Quando se escrever a respeito da História do Brasil nas últimas décadas, certamente Arraes será lembrado como um dos seus personagens mais importantes."

O presidente do PT, Tarso Genro, também lamentou a morte de Arraes: "O Brasil perde um grande político que, ao lado de outros grandes brasileiros, ajudou a construir um modelo de Nação, que ainda não está implementado", disse ele.

Carlos Lupi, presidente nacional do PDT disse que Arraes "tem uma página na história política da esquerda de profunda importância, foi um idealista, um sonhador. Foi perseguido e torturado. A perda dele significa a perda de um pedaço da história. Aos familiares e ao PSB os meus sentimentos mais profundos de solidariedade. Desejo que sua morte não signifique a morte de suas idéias".

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) lamentou a morte de Arraes e disse que "o Brasil e o Nordeste perdem um dos seus maiores líderes". Segundo Tasso, Arraes foi um "homem de grande idealismo e combativo, símbolo na política nacional do sertanejo nordestino, do homem simples do Nordeste". Ele disse que Arraes era admirado pelo seu povo.

O deputado José Dirceu (PT-SP) distribuiu nota em que lamenta a morte de Arraes, que foi "um dos principais líderes políticos do País há quase 50 anos, com quem tinham uma relação afetiva muita próxima". Ele diz que "Arraes foi e continuará sendo um exemplo para todos nós que lutamos por justiça social. Ele dedicou a vida toda ao Brasil e ao povo brasileiro, especialmente ao Nordeste do país, onde semeou idéias e ideais que ficarão registrados para sempre na história da luta contra a desigualdade", afirma Dirceu.

O senador Cristovam Buarque (PT-DF), que é pernambucano, lembrou que Arraes foi o político que recebeu seu primeiro voto, há 43 anos. "Nunca me arrependi. Arraes foi um líder que conseguiu passar por cargos sem matar o mito. Ele fica para a história por sua firmeza, coerência e prioridade aos pobres", afirmou.

A senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) também lamentou a morte de Arraes: "Perdemos um dos mais importantes dirigentes da resistência democrática do Brasil.