São Paulo – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu hoje novas indicações de que pretende disputar a reeleição este ano, embora tenha reiterado que ainda não tomou a decisão final. Lula disse também não ver dificuldade no vácuo criado para a coordenação da eventual campanha, após as quedas do ex-deputado José Dirceu (PT-SP) e do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, sinalizando que o comandante será o presidente nacional do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP).

"Simplesmente, vamos ter de arrumar outros coordenadores e esse não é o problema porque teve muita gente que coordenou minhas campanhas", declarou o presidente. "Quem vai coordenar a campanha, se eu decidir ser candidato, será o presidente do partido", acrescentou.

Após visitar o 2.º Feirão Caixa da Casa Própria, no Expo Center Norte, em São Paulo, Lula declarou esperar da legenda consciência sobre a necessidade de formação de alianças nacionais para a disputa eleitoral deste ano.

"Precisamos construir uma política de alianças com todos os Estados da Federação", opinou. Para isso, ele sugere à sigla que inicie os trabalhos de aproximação com outras agremiações, antes mesmo da decisão de se candidatar.

"Se o PT decidir fazer acordo com PMDB, PSB, PL, PV, é com essas pessoas que vamos fazer a campanha. Mas isso depende do partido e eu tenho dito ao PT que eu não vou me definir pela candidatura antes do prazo-limite, de 30 de junho", afirmou.

"Agora, o PT não pode ficar parado, não pode ficar esperando eu me decidir", afirmou. Enquanto o partido trabalhar e articular coligações, e por entender que apenas em junho o quadro político estará totalmente definido, o presidente disse que continuará cumprindo o papel que entende lhe caber: "Até lá (junho), o meu papel é viajar pelo Brasil, inaugurar as obras que começamos a construir e governar."

Sobre a disputa interna na legenda para a indicação do candidato a governador do Estado, travada entre o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), e a ex-prefeita da capital paulista Marta Suplicy (PT), Lula acredita que as prévias não são "uma coisa totalmente ruim".

"A prévia é mais democrática do que o tempo em que a gente ia para uma convenção e tinha cadeirada e murro para tudo quanto é lado. A prévia é um momento em que você coloca todos os simpatizantes e militantes a votar, e o voto é secreto", acha. Usando a justificativa da votação secreta, o presidente esclareceu que não divulgaria quem seria o candidato a governador.