O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou há pouco explicações ao primeiro ministro português, José Sócrates, sobre o foco de febre aftosa surgido em Mato Grosso do Sul, que levou a União Européia, além de outros países, como a África do Sul e Israel, a adotar restrições às importações de carne brasileira.

Em rápida entrevista dada depois do encontro, no qual foram assinados vários acordos entre os governos brasileiro e português, o presidente garantiu que não faltaram recursos para a fiscalização sanitária. E afirmou que o principal responsável pela sanidade do gado é o dono do rebanho. Disse ainda que vai pedir ao Congresso que apresse a votação de um projeto de lei, já em tramitação, que proíbe os criadores que não vacinam seus rebanhos a ter acesso a financiamentos oficiais por três anos.

Apesar disso, o presidente disse que não queria atribuir responsabilidades antes que sejam apurados os motivos do surgimento da doença. "Antes de acusar, queremos apurar, para dar um veredito ao mundo", afirmou. Lula não quis especular sobre a possibilidade da aftosa ter migrado para a região do território de países vizinhos, como o Paraguai. "É preciso apurar com rigor para saber o que provocou esse foco de infecção", insistiu.

Lula lembrou que o Brasil é o principal exportador mundial de carne e, por isso mesmo, não pode permitir que problemas como esse coloquem em xeque a exportação do produto. "O Brasil não é qualquer um em relação à exportação de carne. Por isso precisa ter mais responsabilidade. Quando alguém age com irresponsabilidade, quem não tem nada com isso paga o preço" disse o presidente.

Ele observou ainda que, nos últimos dias, o governo tomou providências para fazer um cordão sanitário em torno da região em que foi verificado o foco de aftosa, para evitar a disseminação da doença. "Nós fizemos o que tinha de ser feito", disse Lula. Na entrevista, o presidente disse ainda ter pedido ao primeiro ministro português que transmitisse as explicações aos demais países da União Européia.

O primeiro ministro disse que vai transmitir as explicações aos demais países da UE e falar das iniciativas e providências que o governo brasileiro já tomou. No encontro, também foi discutido o problema dos imigrantes brasileiros que se encontram em situação irregular em Portugal. Lula fez um apelo ao primeiro ministro para que os brasileiros que estão procurando regularizar sua situação sejam isentos do pagamento de uma multa – que pode chegar a mil euros – com a previdência social portuguesa.

"Eu faço um apelo para que Portugal faça a generosidade de perdoar a dívida dos pobres brasileiros que estão em Portugal assim como estamos perdoando a dívida dos países pobres que não podem pagar a sua dívida externa", disse Lula. José Sócrates, que também participou da entrevista, respondeu que vai conversar com o ministro da Administração Interna para estudar o problema.

O primeiro ministro anunciou ainda que o governo português vai instalar nos aeroportos internacionais do país um portão específico para receber os cidadãos de países de língua portuguesa.