O candidato do PT à Presidência da República, Luis Inácio Lula da Silva, criticou a decisão do Conselho de Política Monetária (Copom), de aumentar de 18% para 21% a taxa de juros. ?Tenho dito em todos os lugares que nenhum país do mundo vai para frente se os juros oferecidos pelo governo forem maiores que as taxas de lucros ganhos por uma empresa produzindo?, afirmou Lula, que veio a Natal prestar apoio à candidata do PSB ao governo do Rio Grande do Norte, Vilma Faria. ?Os juros não podem ser atração e a motivação de investimentos, o que deve ser atração para investimento é a produção, porque somente através dela geraremos riqueza e emprego para o povo?.

Lula disse que lamentavelmente a equipe econômica só enxerga como saída o aumento da taxa de juros. ?E importante lembrar que já saímos de 20% para 47%, se analisar o que acontece hoje, essa tomada de posição do governo tem um caráter muito recessivo para conter a inflação?.

Para o candidato do PT, não procede a argumentação do governo, de que o aumento da taxa de juros é para conter o crescimento do consumo. ?Nós não temos uma demanda capaz de causar inflação, o que está causando inflação hoje são os chamados preços controlados, que são vinculados ao dólar e que, portanto, a medida não mexe em nada, porque a gasolina, o gás e a energia elétrica estão vinculadas ao dólar?.

O candidato do PT não acredita que a medida vai beneficiar sua eleição no segundo turno. ?Eu não creio que uma decisão dessa vá beneficiar ou prejudicar alguém tão rapidamente  é preciso saber por quanto tempo o governo vai manter essa posição, se ela for de curto prazo ela pode não causar nenhum prejuízo ao próprio governo, mas se ela tiver uma longa duração os efeitos podem ser danosos ao povo brasileiro?.  

Lula também falou sobre a criação da Alca, a Área de Livre Comércio das Américas, afirmando que como os Estados Unidos, o Brasil tem interesses soberanos, pois em todas as negociações, seja sobre a Alca ou qualquer tipo de acordo, todo ou qualquer governo senta na mesa para negociar, tentando tirar vantagens para o povo para a indústria e para a agricultura do seu país.

?Nossa disposição é de sentar e negociar, vai chegar o momento que vamos encontrar um ponto de equilíbrio e aí sai o acordo?, afirmou Lula. Segundo ele, para o Brasil não tem outro remédio de curto prazo senão a economia voltar a crescer, ?para gerar as divisas que precisamos para não ficar dependente de empréstimo de FMI?.

Lula disse que começava sua campanha em Natal como reciprocidade ao apoio que o PSB está dando aos candidatos a governador do PT no segundo turno das eleições. De Natal ele seguiu para João Pessoa, à tarde estaria em Recife e à noite em Aracaju. Ele anunciou que amanhã cedo terá um encontro com o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB). O candidato pretende percorrer, em dez dias, todos os Estados onde haverá segundo turno, oito onde o PT tem candidatos próprios a governador e quatro que o partido por outras legenda.

?Pretendemos com isso cobrir grande parte dos Estados brasileiros no sentido de receber ajuda e de oferecer ajuda, retribuindo o gesto que o PSB fez com o apoio nacional à minha candidatura?. O candidato do PT afirmou ousar dizer ter mais apoio de dissidentes do PMDB do que o nosso adversário tem oficial do PMDB.