Voltaram a ficar tensas as relações do Brasil com a Bolívia por causa da política nacionalista do presidente Evo Morales na área de petróleo e gás. Depois de uma reunião de 45 minutos entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Evo, na manhã de terça-feira, o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, não escondeu o mal-estar que caracterizou a conversa. "As coisas voltaram a ficar ruins", desabafou, após o encontro a portas fechadas, no último dia da Cúpula Energética Sul-Americana, em Isla Margarita, na Venezuela.

Não foi só retórica: na reunião, Evo disse que sua intenção era retomar o controle das refinarias da Petrobras sem pagar o valor real. Irritado, Lula ameaçou cortar todos os investimentos na Bolívia e desestimular projetos privados no país vizinho. O presidente brasileiro saiu do encontro e foi direto para um café da manhã com Hugo Chávez, seu colega da Venezuela. Lula sugeriu a Chávez que conversasse com Evo. O boliviano, que deixou a reunião visivelmente contrariado, quer nacionalizar as refinarias pagando menos da metade do preço das duas unidades, instaladas em Santa Cruz e Cochabamba. Ao ouvir os planos de Evo Lula foi taxativo: afirmou que, se a idéia for concretizada, Brasil e Bolívia entrarão em rota de colisão. Aborrecido, repetiu o mesmo argumento minutos depois a Chávez.

A dura conversa foi assunto de reunião realizada ontem, no Palácio do Planalto, entre Lula, Gabrielli e os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Silas Rondeau (Minas e Energia). Dilma ficou surpresa com a atitude de Evo, já que há dois meses o governo brasileiro concordou em elevar o preço do gás boliviano. Para uma fonte próxima ao Planalto, a questão saiu do plano comercial e entrou no político. Mas o clima é o pior possível. O decreto que prevê a nacionalização das refinarias da Petrobras completará um ano no dia 1º de maio.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo