No Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu hoje, num café da manhã, ao presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), diminuir o número de medidas provisórias (MPs) editadas pelo governo. O gesto é uma tentativa de aproximação política de Lula com Severino, reduzindo as dificuldades que a administração federal tem hoje para aprovar projetos de interesse na Casa.
No encontro, o presidente da República assumiu o compromisso de editar MPs apenas em caso de urgência. O Poder Executivo montou uma operação para melhorar a relação com o presidente da Câmara.
Lula tem reconhecido as dificuldades para voltar a ter a iniciativa das ações no Legislativo, desde a posse de Severino. Por causa disso, decidiu encontrar-se, novamente, com ele hoje. Também tem enviado interlocutores ao encontro de Severino. Um dia antes de encontrar-se com o presidente da República, Severino tinha almoçado com o chefe da Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais da Presidência da República, Aldo Rebelo. Hoje mesmo, menos de duas horas depois da audiência com o presidente da Câmara, Lula amargou uma nova derrota, na eleição para o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
"Ele (Lula) comprometeu-se a diminuir o ímpeto de editar medidas provisórias para que possamos trabalhar e ter melhor resultado", disse Severino, após a reunião. "O presidente está consciente de que só vai mandar MPs à Câmara quando houver, realmente, urgência e relevância para não tumultuar a vida do Poder Legislativo", continuou.
O deputado do PP de Pernambuco afirmou que não usará o poder de elaborar a pauta do plenário da Câmara contra interesses do Executivo. "Vamos ter um tratamento de presidente para presidente. Não irei atravancar o desenvolvimento do País para satisfazer algum desentendimento político." Severino considerou o encontro cordial. "Nunca estivemos em guerra", disse. O deputado do PP ressaltou que a ordem do dia será destravada para que, na próxima semana, seja votada a proposta de reforma tributária.
Severino disse que o fato de ter posições contrárias ao Palácio do Planalto no que se refere a juros não será motivo um desentendimento com Lula.
"Não vamos nos engalfinhar se ele não tem a minha concordância e eu não tenho a concordância dele", afirmou. O deputado entregou ao presidente o estudo sobre política econômica elaborada pela Casa.


