Lula anuncia redução de impostos sobre veículos para 2005

 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou hoje que quer intermediar em 2005 um amplo acordo do governo federal e dos governos estaduais com a indústria automobilística para redução de impostos sobre veículos. O anúncio foi feito durante a solenidade que marcou o início da produção no País do modelo Peugeot 206 SW, no Centro de Produção de Porto Real (CPPR) da Peugeot Citroën, no sul fluminense.

O presidente não deu detalhes sobre a proposta, mas foi aplaudido ao lembrar que, na véspera, assinara medida isentando a produção de livros de tributos federais. “Temos uma pauta de reivindicações da indústria automobilística, penso que a governadora tem, penso que todos os governadores têm, e queremos ver se no próximo ano a gente pode fazer um acordo com a indústria automobilística, para que haja redução daqueles impostos que entendemos que os Estados e o governo federal possam abrir mão, para que esses impostos possam significar também mais crescimento da produção de automóveis, mais consumo interno e mais emprego no nosso País”, discursou o presidente.

Segundo apurou a Agência Estado, o anúncio de Lula não surpreendeu totalmente os executivos do grupo, porque já havia conversas entre as montadoras e o governo federal. Um executivo confidenciou que já fora entregue ao governo um plano com propostas do setor para incentivar as exportações e também o mercado interno. Coincidentemente, o presidente, no seu pronunciamento, defendeu o crescimento simultâneo das vendas domésticas e para o exterior.

Em discurso na presença do presidente mundial da PSA Peugeot Citroën, Jean-Martin Folz, de outros dirigentes da empresa e da governadora do Rio, Rosinha Matheus, Lula elogiou a montadora pela decisão de investir no País e defendeu o crescimento do setor além dos 35 milhões de consumidores potenciais de automóveis no Brasil. “Para alguns, carro é luxo, para outros, é um sonho. E nós não temos o direito de cercear qualquer brasileiro ou brasileira de comprar um carro. Para uns, é um carro; para outros, um vestido; para outros, um terno; para outro, uma viagem ao exterior”, discurou Lula.

Durante a solenidade, o presidente e o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, receberam a doação de dois carros 206 SW para o programa Fome Zero.

PIB

Lula, que afirmou no inicio do discurso estar afônico, se disse alegre com as perspectivas para a economia este ano. Segundo ele, o crescimento do País vai superar todas as expectativas do início de 2004. A mais recente previsão do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) é a de que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá 4,6%.

A última pesquisa semanal do Banco Central, divulgado na segunda-feira, assinalou que a média do mercado prevê um avanço de 4,58%. “Cresceremos acima de todas as previsões”, destacou o presidente. “O que é mais importante é que a massa salarial dos últimos 12 meses cresceu 11,09%, numa demonstração significativa de que começa a haver uma redistribuição de renda no nosso País, porque é isso que vai dar qualidade de vida.” Suando muito no dia quente, após visitar a fábrica o presidente afirmou ainda que o Brasil “entrou definitivamente numa rota de desenvolvimento” e disse que seu governo trabalha para que seja “longo e dutradouro”. “Que seja o início de um novo ciclo no nosso País, um ciclo de crescimento que demore dez ou quinze anos, porque estou convencido de que o Brasil precisa dar uma chance a si mesmo.” Para o presidente, muita gente só consegue visualizar o País “durante o seu mandato” e o Brasil tem de ser pensado “para quinze ou vinte anos.”

Ele também previu que as exportações chegarão a US$ 94 bilhões em 2004 .”Nós agora entramos numa outra fase de crescimento. Achamos que o crescimento tem que ser sobretudo para que a gente possa fazer justiça social, fazendo distribuição de renda, porque isso vai criar mais consumidores, mais compradores de automóveis, a Peugeot Citroën vai vender mais carros, vai gerar mais empregos, o pessoal vai poder trocar mais de carro… É esse ciclo vicioso (sic) que queremos criar no nosso País.”

Lula defendeu a aprovação no Senado das Parcerias Público-Privadas (PPPs) como forma de tornar viáveis investimentos em infra-estrutura que, destacou, o Estado brasileiro não pode fazer desde o fim do regime militar. “Estamos convencidos de que a demora na aprovação do projeto de PPP no Congresso Nacional é exatamente pela preocupação de que alguns têm de que as PPPs possam ser a fundamentação para o desenvolvimento no nosso País”, afirmou.

Dirigindo-se a 50 jovens formados pela Peugeot em parceria como Senai, onde se formou torneiro mecânico, Lula procurou estimulá-los. “Porque foi o Senai que me tirou do salário mínimo, foi o Senai que me deu uma profissão, foi através do Senai que eu consegui entrar numa grande empresa e daí para o sindicato, do sindicato para a política, da política para a Presidência da República”, disse. “Portanto, como vocês são muito jovens, todos vocês um dia poderão sonhar ser governadores, governadoras, prefeitos, presidente da República, senadores, deputados…”, afirmou.

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região!
Seguir no Google
Voltar ao topo
O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Ao comentar na Tribuna você aceita automaticamente as Política de Privacidade e Termos de Uso da Tribuna e da Plataforma Facebook. Os usuários também podem denunciar comentários que desrespeitem os termos de uso usando as ferramentas da plataforma Facebook.