Lula admite problema em unir países em desenvolvimento

Em tom de desabafo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu nesta terça-feira (12) a dificuldade de unir os países em desenvolvimento para fazer frente à Comunidade Européia e aos Estados Unidos. Ao receber o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, no Palácio da Alvorada, ele fez críticas indiretas a países como Uruguai, que querem negociar acordos de livre comércio com os americanos. "Temos parceiros que pensam diferente, adversários e gente que quer negociar de forma privilegiada com outros e não conosco", disse.

Lula avaliou que as nações em desenvolvimento poderiam ter mais poder de decisão nos fóruns econômicos e políticos se estivessem unidos. "Se os países do sul e emergentes se unificassem, nós poderíamos mudar a geografia econômica e comercial do mundo", afirmou. "Certamente não será fácil.

Na sexta-feira, Lula recebeu o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre. Vázquez o comunicou sobre a intenção uruguaia de fazer acordo de livre comércio com os Estados Unidos. O projeto do Uruguai esbarra nas pretensões do governo brasileiro de reforçar o Mercosul. No discurso de recepção ao primeiro-ministro indiano, Lula ressaltou que pretende aproximar a Índia também de vizinhos como Uruguai e Paraguai, que dizem estar sendo prejudicados nas negociações do Cone Sul.

Diante de ministros brasileiros e indianos e de presidentes de estatais dos dois países, Lula destacou que defende maior intercâmbio entre os países do sul – especialmente a Índia – desde sua posse, em 2003. "Desde então, temos trabalhado intensamente em diversas frentes para aprofundar nossa aliança política e econômica, que decidimos agora elevar à condição de parceira estratégica", disse. "Estamos conscientes de que nosso potencial é ainda muito maior.

O presidente ressaltou que o Brasil é o maior parceiro comercial dos indianos na América Latina. Números apresentados por Lula indicam que o comércio entre os dois países não passava de US$ 400 milhões anualmente no final da década de 90. Em 2005, o total chegou a US$ 2,3 bilhões. "Brasil e Índia também estão lado a lado nas negociações da OMC", salientou. "Nossa ação conjunta na criação do G-20 (grupo dos países em desenvolvimento) modificou a dinâmica das negociações comerciais", acrescentou. "Passamos a falar de igual para igual com os países mais ricos.

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