Luizinho diz que relator foi pressionado para pedir cassação

Brasília – O deputado Professor Luizinho (PT-SP) considerou uma arbitrariedade o voto que sugere a cassação de seu mandato por quebra de decoro parlamentar. Luizinho acredita que o relator do processo, Pedro Canedo (PP-GO), tenha sofrido pressões para pedir a cassação no relatório apresentado hoje (19) no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara. "Estou estarrecido. Não tenho dúvida de que a pressão exercida no relator foi violenta. É óbvio que a pressão política o fez mudar o voto", afirmou.

O relator do processo, no entanto, disse que sofreu pressões de todos os lados, a favor e contra, mas ressaltou que foram as contradições do deputado que fizeram com que pedisse a cassação. "Claro que ele cometeu algo ilícito, e a única saída foi dar a sugestão de cassação do mandato. Foram as contradições e as histórias inverossímeis que ele trouxe", afirmou Canedo.

No voto, o relator entende que o parlamentar petista foi favorecido no suposto esquema de repasse de dinheiro operado pelo empresário Marcos Valério. "Concluímos que há elementos suficientes que comprovam que o representado efetivamente se beneficiou de valores provenientes do esquema de corrupção valerioduto/mensalão", diz o documento.

Professor Luizinho aparece como sacador de R$ 20 mil da conta do empresário no Banco Rural. Em depoimento no Conselho de Ética em novembro passado, Luizinho afirmou que o dinheiro foi sacado por um assessor, José Nilson dos Santos, por ordem do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, para pagar campanhas de pré-candidatos às eleições municipais no interior de São Paulo. "Como um assessor que ele conhece há dez anos pode ter ido ao tesoureiro do PT e sacado no Banco Rural sem a intermediação do professor Luizinho?", pergunta o relator do processo.

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