Por unanimidade, sete jurados decidiram ontem condenar o traficante Anderson Gonçalves dos Santos, o Lorde, a 444 anos e seis meses de prisão por ter dado a ordem para que um ônibus fosse queimado com os passageiros em seu interior, em novembro do ano passado. O incêndio do ônibus da linha 350 (Passeio-Irajá), da Viação Rubanil, em Brás de Pina, zona norte do Rio, deixou cinco mortos, entre eles um bebê de um ano de idade, e 16 feridos. Silva foi condenado por cinco homicídios triplamente qualificados e por 16 tentativas de homicídio.

O julgamento, no 2.º Tribunal do Júri da Capital, estava marcado para as 9 horas, mas só teve início às 12h10, devido ao atraso de uma testemunha e da ré Sheila Messias Nogueira. No tribunal, Santos se recusou a responder perguntas, usando o direito de permanecer calado.

Apontada como a pessoa que fez sinal para o ônibus parar e impediu os passageiros de saírem do veículo em chamas, Sheila também seria julgada ontem. No entanto, o processo foi desmembrado pelo juiz porque o Ministério Público e o defensor público da ré discordaram sobre a aceitação de um dos jurados. Sheila será julgada em 4 de dezembro.

O primeiro acusado pelo crime, o líder comunitário Alberto Maia da Silva, foi condenado na semana passada a 309 anos e cinco meses de prisão em regime fechado. Ele teria comprado a gasolina usada no ataque.