O líder do PSOL na Câmara, Chico Alencar (RJ), disse que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deve se afastar do cargo se não conseguir explicar em 24 horas que não é verdadeira a denúncia de que teria despesas pessoais pagas por um lobista da empreiteira Mendes Junior. O líder considerou que a denúncia reforça a necessidade da criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito Mista (CPMI) para investigar desvio de dinheiro em obras públicas.
"Ou ele (Renan) demonstra que é tudo uma grande invenção, uma grande farsa, com provas contundentes de que é uma denúncia infundada, ou ele tem de deixar a presidência do Senado e, por conseqüência, do Congresso até que tudo seja apurado", afirmou Alencar. Para o líder do PSOL, é "insustentável" para o Poder Legislativo que o seu presidente tenha conduta questionável e permaneça no cargo.
Alencar ressaltou que não se trata de questões da vida privada do presidente do Senado. "Não é da conta de ninguém a vida pessoal dele, onde mora, quantos filhos tem ou as relações conjugais formais ou não. O problema é uma pessoa no exercício de uma atividade pública ser bancada por pessoas que têm interesses diretos em negócios com o Estado", continuou Alencar. "Não se trata de um "mimo". Não estamos falando do recebimento de uma agenda", disse o líder do PSOL. Constitucionalmente o presidente do Senado é também o presidente do Congresso. Cabe a Renan presidir as sessões conjuntas da Câmara e do Senado.