O líder da milícia xiita libanesa Hezbollah, Hassan Nasrallah, ameaçou lançar foguetes contra Tel Aviv, caso a Força Aérea de Israel continue a bombardear Beirute. Em pronunciamento transmitido pela televisão libanesa, Nasrallah disse que "vocês atacam nossas aldeias, nossos civis e nossa capital. Nós vamos reagir. A qualquer momento em que vocês decidam suspender sua campanha contra nossas cidades, aldeias, civis e infra-estrutura nós não vamos disparar foguetes contra quaisquer assentamentos ou cidades israelenses. Se vocês bombardearem nossa capital, Beirute, nós vamos bombardear Tel Aviv. A única escolha diante de vocês é interromper sua agressão e passar a negociações para acabar com essa tolice". O pronunciamento foi feito horas depois de aviões israelenses voltarem a bombardear a capital libanesa.

"Estamos combatendo uma guerra de guerrilha. Nossa política não é apegar-nos à geografia. É positivo para nós permitir que o inimigo avance para as entradas das aldeias; esse é o nosso objetivo. Nossa meta é infligir o máximo de baixas e dano às capacidades do inimigo, e estamos conseguindo isso" disse Nasrallah, salientando que as estruturas de comando e as unidades de foguetes do Hezbollah continuam intactas.

Em Jerusalém, o ministro da Defesa de Israel, Amir Peretz, disse que orientou o comando militar de seu país a preparar-se para a "próxima fase" do conflito, que seria colocar sob controle toda a região do Líbano ao sul do rio Litani (que corre paralelamente e cerca de 30 km ao norte da fronteira entre os dois países). Israel já tem pelo menos 8 mil soldados em território libanês, a maioria no sul do país.

O primeiro-ministro do Líbano, Fuad Saniora, contou o saldo do conflito até o momento. "Mais de 900 foram mortos e 3 mil foram feridos até agora, e um terço das vítimas são crianças de menos de 12 anos", declarou Saniora em mensagem dirigida à Organização da Conferência, cujos 56 países-membros reuniram-se em Putrajaya (Malásia). Ele também disse que "um quarto de nossa população, ou 1 milhão de pessoas, foram deslocadas e muitas não têm mais casas para onde voltar". A conferência islâmica exigiu um cessar-fogo imediato e a presença de uma força de paz multinacional, sob coordenação da ONU, para estabilizar a situação no Sul do Líbano e organizar a ajuda humanitária para libaneses e palestinos. As informações são da Associated Press, citada pela Dow Jones.