Brasília – O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB – RO), admitiu nesta sexta-feira (12) que a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara ou no Senado para investigar a crise no setor aéreo pode atrapalhar a votação das medidas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Congresso Nacional. Ele garantiu, no entanto, que o governo não vai impedir a criação da comissão.

"O governo não gostaria de ter uma CPI a perturbar o trâmite da votação do PAC, por exemplo. Qualquer governo não quer CPI. A CPI é um instrumento de perturbação no processo de votação normal", disse Jucá após encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto.

"É claro que uma CPI, dependendo da forma como for conduzida, atrapalha não só a votação do PAC, como todas as votações do Congresso. Contribui para complicar o clima reinante entre oposição e governo", afirmou.

Jucá ressaltou no entanto que a criação da comissão cabe ao Congresso Nacional. "O governo não tem medo de CPI. O governo não vai agir de forma nenhuma para evitar CPI, retirar assinaturas, nada disso", garantiu. 

O líder do governo na Câmara, deputado José Múcio (PTB-PE), que também participou da reunião no Planalto, disse que a criação da comissão não foi tema do encontro com Lula. Múcio revelou que os líderes se reuniram hoje com o presidente e o ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, porque ontem (12) não houve reunião com o Conselho Político, como estava planejado. "Um governo com a coalizão ampla como essa pressupõe conversas, combinações, acordos, demandas. O presidente quis participar da reunião para ter uma avaliação de como andavam as votações das medidas referentes ao PAC".

Ao ser indagado em qual casa legislativa – Câmara ou Senado – seria melhor para instalar a CPI do Apagão Aéreo, Múcio respondeu: "CPI é ruim em qualquer lugar. Nem prefeito, nem governador, nem presidente da República, nenhum cargo Executivo gosta de CPI. O problema da CPI não é o foco da investigação. O problema da CPI é o palanque. É por isso que em São Paulo o governo luta para não instalar. Procura saber se em Minas tem alguma, se no Rio Grande do Sul tem alguma. O Executivo sabe que a CPI atrapalha", afirmou.

Os deputados aguardam a decisão do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) para instalar a comissão. No Senado, a base governista tenta conter a criação da CPI, mas a oposição já tem o número de assinaturas necessárias para apresentar o pedido de criação da comissão.