O presidente Néstor Kirchner terá uma semana movimentada no que diz respeito à agenda regional. Depois de almoçar com o presidente eleito da Bolívia, Evo Morales, amanhã (17), Kirchner viajará para Brasília, no final da tarde, onde se reunirá com os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Venezuela, Hugo Chávez. Três temas deverão dominar as conversas: as relações comerciais bilaterais, os problemas e projetos energéticos comuns e a delicada situação atual do Mercosul.
Durante o almoço que Kirchner vai oferecer à Morales, "será estabelecido o primeiro contato para as futuras relações bilaterais", como afirma a chancelaria. Mas o prato principal promete ser salgado: a negociação em torno do preço do gás que a Argentina compra da Bolívia e para o qual Morales já anunciou aumento, como informa uma fonte da Casa Rosada. Para tanto, haverá uma reunião técnica paralela, entre o ministério do Planejamento e assessores de Morales.
À noite, no jantar que Lula oferecerá à Kirchner, haveria dois pratos fortes: a posição do Uruguai de negociar um acordo de livre comércio com os Estados Unidos e seu, conseqüente afastamento do Mercosul, e a Cláusula de Adaptação Competitiva (CAC) que ambos países deverão assinar para instituir salvaguardas automáticas no comércio bilateral.
No dia seguinte, Kirchner, Lula e Chávez terão um almoço para discutir a integração energética, com especial destaque para o gasoduto sul-americano, como propõe o venezuelano. Além disso, os três presidentes vão discutir detalhes da agenda do Foro Social Mundial, em sua versão latina, que será realizada em Caracas entre os dias 24 a 29 de janeiro. Apesar da ampla agenda a discussão que deve ser a mais polarizada diz respeito ao Mercosul, diante da crise desencadeada pelo Uruguai.


