O Ministério da Justiça decidiu suspender por 15 dias o andamento do concurso para agente penitenciário federal por causa da descoberta de um esquema de fraude durante a aplicação da prova no último domingo (22). De acordo com nota divulgada pelo ministério, a decisão definitiva sobre o concurso será tomada após novas informações sobre as investigações da quadrilha de fraudadores de concursos públicos.

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No domingo, mais de 30 candidatos foram presos, em uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal e da Polícia Federal, por serem suspeitos de comprar o gabarito da prova. Além dos candidatos, foram presos também suspeitos de integrarem a quadrilha que atuava há pelo menos nove anos. Ao todo, a polícia já prendeu 78 pessoas.

O servidor do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) Hélio Garcia Ortiz, apontado pela Polícia Civil como o líder da quadrilha, ainda não foi preso. A mulher e a filha dele, que segundo a polícia também atuavam no esquema, foram presas no domingo. Outros 25 suspeitos também estão sendo procurados.

Segundo a Polícia Civil, os fraudadores vendiam gabaritos de concursos ou a inclusão de nomes na lista de aprovados. As investigações identificaram que a maioria dos concursos fraudados foi realizada pelo Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe), ligado à Universidade de Brasília. Além de agir no Distrito Federal, o grupo atuava em mais seis estados do país: Pará, Piauí, Goiás, Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Bahia.

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Dos 78 presos, 14 são servidores públicos do TJDFT. Eles teriam recebido o gabarito das provas e o tema da redação do concurso para o tribunal, realizado em 2003. Em nota, o tribunal esclarece que os funcionários presos e suspeitos de participar da fraude responderão a processo disciplinar administrativo e a processo criminal.

O inquérito criminal já foi recebido pelo Juiz da Terceira Vara Criminal de Brasília, Juiz Marcio Evangelista, que tem dez dias para avaliar o caso e devolver para delegacia para concluir as investigações. Para a abertura do processo administrativo, o TJDFT está aguardando os dados da investigação da Polícia Civil.

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"Apurado e comprovado que funcionários foram beneficiados pelo esquema, eles serão exonerados do cargo e serão convocados outros candidatos conforme a lista de aprovação no concurso", informa a nota do TJDFT. "O concurso de 2003, alvo das investigações, não será anulado pois a grande maioria dos candidatos, a princípio, são pessoas decentes que não serão penalizadas pelos atos criminosos da quadrilha".