A atitude mais incisiva de alguns Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) – em especial os do Rio e de São Paulo, que têm sob sua vigilância um terço do eleitorado do País – expõe candidatos, alerta os eleitores e está deixando advogados de cabelos em pé. Nos próximos dias, a polêmica a respeito de sua conduta aguerrida alcançará o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Começarão a chegar à corte superior os recursos apresentados por advogados de centenas de candidatos que tiveram seus registros negados Brasil afora.

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Um balanço preliminar feito em 17 Estados mostra que, dos 13.531 pedidos de registro de candidaturas, 1.203 – pouco menos de 9% – foram rejeitados.

O presidente do TSE, Marco Aurélio Mello, diz que a composição do tribunal mudou e pode, ao contrário do que ocorreu em outras eleições, apertar o cerco a candidatos com pendências contábeis ou denúncias em seus currículos. "É preciso corrigir rumos", argumenta.

No Rio, o TRE decidiu ignorar a regra do trânsito em julgado – pela qual um registro só pode ser negado se o candidato acusado de crime for condenado em todas as instâncias judiciais – e barrou candidaturas pela qualidade das provas de irregularidades anexadas à folha corrida dos pretendentes. Foi negado registro a vários sanguessugas – como Paulo Baltazar (PSB) e os petebistas Elaine Costa e Fernando Gonçalves – e ao ex-deputado Eurico Miranda (PP), dirigente do Vasco.

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Em São Paulo, a Justiça Eleitoral bloqueou as candidaturas daqueles com dívidas eleitorais e documentação incompleta. Foram barrados o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT) e o ex-deputado Valdemar Costa Neto (PL), que renunciou ao mandato para escapar do risco de ser cassado no escândalo do mensalão.

Na avaliação de quem transita no mundo da política, o Judiciário reage à enxurrada de denúncias de corrupção contra políticos. "Foi deflagrado um processo de conscientização das instituições de que também são responsáveis por endurecer com a corrupção", diz o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), da CPI dos Sanguessugas.

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Na quinta-feira, em decisão alinhada com o TRE do Rio, o TSE estabeleceu que candidatos que passaram pela administração pública e tiveram contas reprovadas de forma insanável só têm direito ao registro se conseguirem despacho favorável da Justiça. Não basta mostrar que apresentaram recurso contestando a reprovação, como antes. "A decisão é boa, mas vamos aguardar. Se a opção for pegar uns peixes pequenos e botar sanguessugas no colo, teremos um debate político", diz o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ).

A grande dúvida é sobre que posição o TSE assumirá em relação à interpretação do tribunal do Rio, que vetou a presença de candidatos contra os quais há indícios contundentes de envolvimento em corrupção, ainda que não tenham sido condenados em todas as instâncias.

"Acho difícil que o TSE avance nesse sentido porque o princípio está expresso em lei", afirma Carlos Velloso, ex-presidente do tribunal. "Quando decisões são tomadas com critérios vagos, contra a lei, fica-se sujeito aos bons ou maus humores do juiz. No caso dos sanguessugas, considero até um bom humor, mas fora da lei não há salvação." O advogado Fernando Neves, também ex-ministro do TSE, argumenta: "Concordo que é preciso ter mais rigor, mas as decisões do tribunal do Rio abrem espaço para um subjetivismo tremendo.