Brasília – A Justiça Federal autorizou o envio à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Sanguessugas de cópia do inquérito policial que investiga a negociação de um dossiê com documentos que envolveriam políticos dos PSDB com a compra superfaturada de ambulâncias. A decisão do juiz Jefferson Schneider, responsável pelo caso, foi tomada após reunião com integrantes da CPI que viajaram à Cuiabá.

Os documentos devem chegar nesta terça-feira à CPI. Segundo o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), a Justiça enviará, além do inquérito, cópias do material apreendido na casa dos donos da Planam, a quebra de vários sigilos telefônicos, como o do ex-assessor da campanha do PT ao governo de São Paulo Hamilton Lacerda, e o levantamento da origem de parte dos dólares apreendidos.

Segundo Delgado, o delegado da Luiz Flávio Zampronha, responsável pela investigação da origem do dinheiro, conseguiu rastrear as casas de câmbio que venderam parte dos dólares, exatamente US$ 109,8 mil. Esse levantamento também será enviado à Justiça Federal e à CPI dos Sanguessugas.

?Conseguimos a autorização do juiz. Ele vai disponibilizar para a CPI as informações do inquérito. Assim como as quebras de sigilo e algum recurso que dá para se descobrir a origem que também é fruto de investigação da Polícia Federal. Mas vamos ter que fazer quebrar outros sigilos e fazer outros cruzamentos para saber de onde vieram esses recursos?, explicou o deputado ao retornar de Cuiabá para Brasília.

Delgado ainda cogita que parte do dinheiro seja ilegal. ?É dinheiro sujo, velho, sinal que estava guardado?, disse. Segundo ele, os saques também foram feitos de maneira ?picada? em vários bancos. Entre os documentos apreendidos pela PF que estão entre os anexos do inquérito, a CPI quer analisar principalmente os extratos bancários encontrados na casa do dono da Planam, Luiz Antônio Trevisan Vedoin, após a prisão de Gedimar Passos e Valdebran Padilha, acusados de tentar comprar o dossiê para o PT.

O deputado Paulo Rubem Santiago acredita que os extratos podem revelar o ?círculo de influência? do esquema de compras ilegais de ambulância por meio de emendas parlamentares e autorizações do Ministério da Saúde. Para ele, ?há muito mais documentos, o dossiê parece uma piada se comparado ao material apreendido?, afirmou à Agência Brasil. Insistir na origem do dinheiro, segundo o deputado, não vai trazer o resultado esperado. ?Jamais se identificará a fonte de parte desses recursos porque são fracionados?. Segundo ele, ?foram juntando aos pouquinhos de várias partes?.

Quatro sub-relatores da CPI foram a Cuiabá (MT) acompanhar as investigações da Justiça Federal no Mato Grosso e da Polícia Federal: Carlos Sampaio (PSDB-SP), Júlio Delgado (PSB-MG), Vanessa Graziotin (PcdoB-AM) e Paulo Rubem Santiago (PT-PE).