O mercado de juros, como os demais, vai observar os movimentos do cenário externo nesta quinta-feira (21), uma vez que foi esvaziada a expectativa com o pacote de medidas econômicas para estimular o crescimento, cujo anúncio foi adiado pelo governo para janeiro. As taxas dos contratos de depósito interfinanceiro (DI) futuro de prazos mais longos mostram leve alta no pregão da Bolsa de Mercadorias & Futuros, mas nada que possa ser considerado mudança de humor para pior.

Operadores comentam esta manhã que a notícia de que o salário mínimo deve subir para R$ 380 – contrariando vontade dos ministros da área econômica, que preferiam R$ 367 – e que a tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física será corrigida em 4 5% (o que vai reduzir arrecadação) causam desconforto, mas não ainda o suficiente para gerar movimentos muito negativos.

No entanto, alguns profissionais mostram-se bastante preocupados com o fato de o discurso das autoridades ser muito positivo no que diz respeito às perspectivas para o segundo mandato do presidente Lula, enquanto as ações mostram-se conflitantes com tais declarações. "Isso atrapalha a falta de consenso sobre como será o segundo mandato, além de gerar especulações sobre quem sai e quem fica", disse um deles. Se o dólar engrenar uma certa alta por causa dessas preocupações, o juro deve ser ajustar no mesmo compasso. Mas não são esperados movimentos agressivos.

A reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) hoje, conforme expectativa do mercado, deve reduzir a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), atualmente em 6,85% ao ano, mas isso também está "no preço".

Na BM&F, às 10h18, o juro do DI com vencimento em janeiro de 2008 (contrato mais líquido) estava em 12,49% ao ano, ante 12 47% de ontem. O DI de janeiro de 2009 projetava 12,47% ao ano (12,42% ao ano ontem).