Os participantes do mercado de juros estão avaliando os números sobre a produção industrial que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou hoje. Os contratos de depósito interfinanceiro (DI) em negociação no pregão eletrônico da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) demoraram alguns minutos para mostrar alguma reação, mas acabaram recuando levemente. E às 10h23, o contrato de DI mais negociado, o de vencimento em janeiro de 2008, projetava taxa de 12,36% ao ano, ante 12,38% ao ano de sexta-feira.

O dado de dezembro do IBGE registrou crescimento de 0,5% na produção industrial, dentro das estimativas de analistas. Mas, como houve também revisões nos resultados de novembro, o mercado ainda está fazendo as contas para concluir qual é a indicação que os números apresentam em termos de evolução da atividade econômica.

De todo modo, operadores não acreditam que esses números sejam capazes de determinar uma tendência firme para os juros futuros. Afinal, é dado como certo o próximo corte de 0,25 ponto porcentual do juro básico brasileiro, a Selic, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de março. E, nos três encontros seguintes, a probabilidade de o recuo continuar também é grande. Ou seja, as dúvidas dos investidores se concentram na evolução da política monetária no médio prazo e, até lá, muitos indicadores terão de ser analisados. "Por enquanto, o que mercado conhece são os números de inflação, que continuam muito tranqüilos e por isso justificam a aposta em mais 0,25 ponto", afirma um operador.

Ao longo do dia, as interpretações sobre os números do IBGE podem provocar alguma volatilidade, porque podem criar oportunidades de compra ou venda de DIs. Esse movimento pode ganhar força mais tarde, com os números que a Confederação Nacional das Indústrias (CNI) divulgará sobre o desempenho do setor também em dezembro. Mas, na opinião de operadores, esses ajustes devem ser modestos e em um pregão de liquidez contida. "A capacidade desses indicadores mexerem nos preços agora ficou reduzida, porque há um acumulado de coisas que estão para sair", afirma um operador.

Um dado relevante foi apresentado hoje na pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central (BC). A projeção do mercado para a taxa Selic ao final de 2007 voltou para 11,50%, de 11,75% na semana passada. O recuo é atribuído à ata do Copom, que saiu na quinta-feira passada, considerada pelos operadores favorável à aposta de continuidade de baixa do juro ao longo do ano.