Sob pressão do inusitado constrangimento causado pela revelação duma conversa telefônica, gravada com autorização do Poder Judiciário a quem servia na elevada função de ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o juiz Paulo Medina tomou a iniciativa de se afastar até o esclarecimento da suspeição a que está submetido.
Nessa conversa, Medina adiantava o voto que pretendia dar, em determinado processo, inocentando um homem acusado de falsidade ideológica, o que de fato ocorreu no dia seguinte.
Na recente operação Furação, um dos que foram presos pela Polícia Federal, o advogado Virgílio Medina, envolvido com a máfia dos caça-níqueis do Rio de Janeiro, é irmão do referido juiz, por sinal, autor da sentença que liberou 900 máquinas caça-níqueis proibidas de funcionar na cidade de Niterói. A PF descobriu que a sentença custou R$ 1 milhão.
Com mais de 35 anos de carreira na magistratura, em condições legais de solicitar a aposentadoria, o juiz Paulo Medina continuará recebendo um salário mensal de R$ 23,2 mil, mesmo sem trabalhar, pois adquiriu a prerrogativa em função do tempo de serviço.
Desde o estouro do escândalo da venda da sentença, à máfia da jogatina, o juiz estava em licença até o dia 18, alegando a necessidade de tratamento médico. A licença foi reformada para pedido de afastamento até o desfecho da entaladela que cobriu de nojo a face respeitável da deusa da Justiça.


