Jucá defende saída política para evitar duas CPIs no Congresso

Brasília – O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse nesta terça-feira (24) que a ?saída política? é o único instrumento para barrar a criação de duas comissões parlamentares de inquérito (CPI) destinadas a discutir um único tema, a crise no setor aéreo, no Congresso Nacional.

?Não vamos tratorar [fazer pressão] ninguém. O que nós achamos é que seria uma overdose termos duas CPIs, uma na Câmara e outra no Senado. Mas vamos procurar uma saída política?, afirmou Jucá.

Ele falou com a imprensa logo após a reunião de líderes no Senado, que decidiu pela leitura no plenário do requerimento que pede a abertura da CPI, amanhã (25), e pelo prazo de 20 dias para que os partidos indiquem seus membros. ?Nesses 20 dias podemos construir um acordo com a oposição (DEM e PSDB), caso contrário, serão instaladas as duas CPIs?, disse Jucá.

Segundo o senador, a preocupação da base aliada é que a instalação de duas comissões pode se transformar num problema não só para o governo, mas também para o Congresso Nacional. ?Vai criar desarmonia e ampliar os problemas entre a Câmara e o Senado?.

O líder do Democratas, senador José Agripino (RN), não acredita em acordo e aposta na instalação das duas CPIs – o Supremo Tribunal Federal (STF) decide, possivelmente amanhã (25), se é direito da minoria na Câmara dos Deputados implementar a CPI na Casa. ?A correlação de força no Senado é conveniente à oposição. Já, na Câmara, a mesma CPI pode ser tratorada, por ser uma correlação de força desigual?, assinalou Agripino.

Assim, segundo ele, a única chance de evitar as duas CPIs seria a costura de um amplo acordo entre as bancadas governistas e de oposição da Câmara e do Senado. ?O que não acredito?, afirmou.

O líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), é da mesma opinião. ?Não cogitamos acordo para evitar a CPI aqui. Teremos duas comissões de inquérito?, destacou. Virgílio acrescentou que a oposição vai pleitear a relatoria.

Já o líder do PSB, partido da base do governo, Renato Casagrande (ES), destacou a "falta de bom senso da oposição?, por querer instalar duas CPIs. ?Isso não tem tradição aqui no Congresso, e não passa uma imagem boa para a sociedade. Acho possível fechar um acordo?, completou.

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