Um dos 18 parlamentares listados para cassação pela CPI Mista dos Correios, o deputado José Mentor (PT-SP) está na sede da Polícia Federal em Brasília para prestar depoimento.

Mentor é acusado de ter recebido R$ 120 mil de conta do empresário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza para livrar o Banco Rural de ser denunciado por lavagem de dinheiro e esquema de remessa ilegais de dinheiro para o exterior, na CPI do Banestado, da qual Mentor foi relator. O dinheiro foi pago na época em que Mentor concluía seu relatório sobre os trabalhos da CPI do Banestado.

O parlamentar não quis dar declarações, à chegada à PF, mas sua assessoria divulgou nota em que o deputado, que é membro histórico do PT, nega que tenha recebido "mensalão" ou qualquer outra vantagem para votar com o governo. Ainda na nota, Mentor afirma que os R$ 120 mil que a empresa Mentor, Pereira e Souza Advogados recebeu, em duas parcelas, referem-se a serviços jurídicos prestados a Marcos Valério.

O deputado nega, também, que tenha viajado em jato do Banco Rural, como denunciou a ex-secretária de Marcos Valério Fernanda Karina Somaggio, e que tenha tratado sobre o Banco Rural com Marcos Valério. "Estou tranqüilo. Quero que todos os fatos sejam apurados e que a verdade venha a tona", diz o parlamentar, na nota. "Não cometi nenhum ato de corrupção ou quebra de decoro".