As condições do pontífice, acrescenta a nota, continuam "muito grave".

O último boletim de saúde do papa foi divulgado apenas por escrito, depois que uma entrevista coletiva de imprensa foi cancelada.

Na manhã deste sábado, o Vaticano já havia admitido os primeiros sinais de que a consciência do papa vinha sendo afetada, embora ele não tivesse entrado em coma.

O porta-voz da Santa Sé, Joaquín Navarro-Valls, disse que uma missa foi realizada no quarto do pontífice às 7h30 de Roma (2h30 de Brasília) e que ele chegou a responder a estímulos, abrindo os olhos quando alguém conversava com ele.

De acordo com Navarro-Valls, o papa tentou pronunciar algumas palavras, interpretadas por seus assessores como uma referência aos jovens do mundo.

O porta-voz afirmou que João Paulo 2º foi avisado de que a maioria das pessoas que se mantiveram em vigília durante toda a noite na praça São Pedro, no Vaticano, era de jovens, o que teria motivado a frase do papa.

"Eu procurei por vocês e agora vocês vieram a mim. E eu lhes agradeço", teria dito João Paulo 2º.

Na manhã deste sábado, quando esteve com o papa, Navarro-Valls disse que o pontífice estava acompanhado de seus dois secretários, Stanislao Dziwicz e Mieczyslaw Mokrzycki, além de seu médico pessoal, Renato Buzzonetti, e das três freiras que normalmente o assistem.

Problemas de saúde

O estado de saúde do papa se deteriorou nos últimos dias, especialmente na sexta-feira.

Ele estava com a respiração fraca, sua pressão arterial baixa e sofria de insuficiência cardáica e nos rins.

Há mais de dez anos, ele sofre do mal de Parkinson, uma doença degenerativa. Uma forte artrite atinge suas pernas, fazendo com ele tenha dificuldades em se manter de pé.

O declínio da condição do papa ocorreu após duas internações no mês de fevereiro, para tratar de problemas nas vias respiratórias. Ele foi submetido a uma traqueostomia (um tubo foi inserido em sua traquéia para ajudá-lo a respirar). Depois, passou a ter também dificuldades para se alimentar, e outro tubo foi inserido no nariz para que os alimentos pudessem ser levados direto ao estômago.

Durante a madrugada deste sábado, milhares de pessoas se concentraram para uma vigília na praça de São Pedro, no Vaticano.

Pouco depois da meia-noite, estima-se que até 70 mil pessoas se encontravam no local.

"Fique conosco. Não nos deixe", entoavam grupos de pessoas na multidão. Muitas choravam desconsoladas.

O Vaticano emitiu três notas na sexta-feira, aparentemente para preparar os fiéis para o pior.

A mídia italiana informou que muitos cardeais que vão participar da escolha de um novo papa depois da provável morte de João Paulo 2º estão seguindo para Roma vindos de várias partes do mundo.

O cardeal vigário de Roma, Camilo Ruini, disse em uma missa rezada na capital italiana, na sexta-feira, que o pontífice "já vê e toca o Senhor".

Outro sacerdote, o vigário-geral da Cidade do Vaticano, Angelo Comastri, disse na sexta-feira a uma multidão reunida na praça de São Pedro: "Nesta noite, Cristo abre a porta para o papa."

* Colaborou Assimina Vlahou, de Roma
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