Tudo muito colorido, como bem representam as coisas da Espanha. Matizes fortes e bem definidos, muito vermelho e amarelo, cores da bandeira espanhola. Objetos antigos, oriundos de sobras de demolição, e pratos pendurados pelas paredes. Uma decoração rústica, com mesas de madeira e tudo para passar simplicidade e aconchego, concebida pelo próprio proprietário da casa, o engenheiro e arquiteto Carlos Ernesto Aichinger (que em tempos passados foi co-proprietário do ?Semente de Mostarda?). Lá fora, como numa varanda, algumas mesas a mais, de frente para a praça. Para atender, garçons de bonés, como se fossem ?chulapas madrilenhas?.
O Pata Negra ? Restaurante, Bar e Café está funcionando há pouco tempo em Curitiba, com o objetivo de preencher a lacuna da cozinha espanhola na cidade. Até bem pouco tempo existia o Flamenco, que não resistiu. Fora isso, apenas o El Paellero Espanhol, que funciona no Centro Espanhol do Paraná e que trabalha apenas com reservas, sem a estrutura de um restaurante normal.
Não por coincidência, o Pata Negra está localizado na Praça Espanha. Abre todas as noites e nos fins de semana também para almoço. Tem um cardápio enxuto, que pode sugerir desde um descontraído happy hour até uma refeição mais consistente, com as paellas de inevitáveis estrelas principais. São as duas opções mais comuns, Valenciana e Marinara (esta somente com frutos do mar), embora o menu reserve algumas interessantes opções, como a Merluza com sidra, servida com molho de camarão e presunto e o Pulpo a gallega (polvo no azeite de oliva, com batatas e alho), além de variedades de camarão e ? para quem não for das coisas do mar, o forte da cozinha espanhola ? um Lomo de cerdo em salsa de damasco.
Como na Espanha, há tapas e pinchos, beliscos que podem servir de aperitivo ou de entrada. O mais significativo deles é o que dá o nome à casa, Pata negra, um presunto defumado mais do que especial, de sabor único, por conta das bolotas, frutas das quais os porcos se alimentam e que transformam o sabor da carne. Só experimentando para saber o que é.
Mas há uma adaptação brasileira com um bufê denominado tapeo, onde estão frios, salgadinhos, um saboroso escabeche de sardinha, coloridos pimentões assados e fatiados, mariscos e lulas ao vinagrete, pães fatiados, torradas cobertas e atraentes empanadas galegas de frango, único prato quente entre todos. Por um preço fixo, o cliente pode se servir à vontade e também contentar-se apenas com isso.
Mas o tapeo também serve como entrada e aí apenas complementa o preço do prato principal, que ainda pode ser uma Tortilla tradicional (de batata e cebola), de presunto ou de camarão. Outra alternativa é o Sorrentino relleno, uma massa recheada servida com três opções de molho. E assim como fez concessão ao bufê (?os brasileiros não comem de pé, no balcão, como os espanhóis?), Aichinger também inseriu a carne bovina em seu cardápio, justificando a possibilidade de algum cliente em um grupo não abrir mão da carne vermelha. Para esses, um argentino Bife de Chorizo e tudo bem. Como sobremesa, Crema catalana, churros, rabanadas e peras ao vino.
Entre as alternativas de bebidas, a primeira sugestão é a sangria – bebida típica espanhola, feita com base numa mistura de vinho tinto, sumo de fruta e pedaços de fruta e açúcar. Há algumas marcas de cerveja e outras nem tantas de vinho, que são servidos em taças não adequadas, de vidro grosso, as mesmas da sangria.
O restaurante tem capacidade para 75 pessoas em seus três ambientes, mas peca por não dividir áreas específicas para fumantes e não-fumantes.
O futuro
Aberto em setembro de 2005, o Pata Negra tem a cozinha sob responsabilidade do chef Alexandre Rodriguez, ex-Casa Téo e Flamenco, dois restaurantes espanhóis já extintos em Curitiba. De acordo com Carlos Aichinger, o cardápio da casa costuma ser adequado às sugestões dos clientes e já está sendo viabilizada a inclusão de mais três novos pratos: paella nera e Calamares en su tinta, ambos tendo na tinta da lula a base, e outro com vieiras que estão sendo trazidas do Rio de Janeiro.
Novidade também será o horário de funcionamento. Após o Carnaval, a meta é abrir diariamente para almoço e emendar até a noite. Justificando o nome, receber durante toda a tarde, com atrativos para o café, alguns deles já constantes das sobremesas (como churros e rabanadas) e outros que ainda serão inseridos no cardápio, como ?sanduíche de miga?, típico argentino, com pão de forma sem casca e bem fino ? Aichinger trouxe uma forma especial da Argentina.
Serviço:
Pata Negra ? Restaurante, Bar e Café
Praça da Espanha, 23 – Batel
Fone: (41) 3233-8071.
Calamares en su tinta
Ingredientes:
1,8 kg de lulas inteiras
1/2 xícara de azeite de oliva
1 xícara de cebola picada
1/3 de xícara de salsinha picada
1 colher (chá) de sal
pimenta-do-reino (moída na hora, de preferência) a gosto
1 xícara de água fria
1 colheres (sopa) de farinha de trigo
Modo de fazer:
Limpe as lulas, reservando cuidadosamente os saquinhos de tinta. Corte as lulas em anéis de 1 cm e deixe os tentáculos inteiros.
Numa frigideira grande, aqueça o azeite e refogue a cebola até murchar. Acrescente o alho, refogue mais 1 minuto e adicione as lulas e a salsinha. Mantendo fogo forte, mexa por 5 minutos.
Tempere com sal e pimenta. Tampe a frigideira e cozinhe lentamente por 20 minutos.
Enquanto isso, amasse os saquinhos de tinta sobre uma peneira. Despeje a água e esprema novamente. Junte a farinha de trigo e misture bem, até que não haja mais grumos.
Despeje a mistura da tinta sobre as lulas, mexendo sem parar até levantar fervura. Reduza o fogo e cozinhe por mais 5 minutos.
Retire do fogo e deixe descansar por mais 5 minutos, antes de servir.
Rendimento: 6 porções.


