Ricardo Stuckert/PR – Divulgação ABr
O presidente Lula durante discurso
no Fórum Econômico Mundial.

O suíço Jean Ziegler, integrante do Conselho Executivo da Internacional Socialista, propôs hoje o nome de Luiz Inácio Lula da Silva para presidir a organização. Ziegler, que como relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre direito alimentar se reunirá no dia 2 com Lula em Brasília para conversarem sobre o projeto Fome Zero, disse que outros membros do Conselho da Internacional Socialista apóiam a iniciativa.

O Conselho se reuniu nos dias 20 e 21 em Roma, onde o PT esteve representado pelo deputado federal eleito José Eduardo Cardozo. O mandato do atual presidente, o ex-primeiro-ministro português Antonio Guterres, já está expirando. Ele foi eleito no último Congresso da Internacional, em novembro de 1999, em Paris. O Congresso se realiza a cada três anos. O secretariado da Internacional em Londres informou que ainda não está marcado o próximo Congresso, quando será eleito o novo presidente, mas deve ser em breve.

“A viagem de Lula a Berlim e a Paris tem um grande significado para nós”, disse Ziegler. “A esquerda na Europa não tem projetos claros, está totalmente desorganizada. (O presidente francês Jacques) Chirac é de direita, e (o chanceler alemão Gerhard) Schröeder se rendeu ao neoliberalismo.” Segundo ele, o presidente brasileiro é grande fonte de inspiração.

“O Brasil é a décima potência econômica mundial, não é uma Albânia, e aqui há agora um presidente com um projeto social eleito com 61% dos votos”, ressaltou o suíço, falando em português. “Isso é decisivo para toda a América Latina e para a Europa também.”

Dívida

Ziegler, professor de sociologia na Universidade de Genebra e na Sorbonne, em Paris, sugeriu que Brasil, Argentina, México e Venezuela se unam para suspender o pagamento da dívida e fazer uma auditoria sobre seu valor, identificando o que é proveniente de “corrupção” e “fuga de capitais”. À pergunta sobre se ele considera responsável esse tipo de proposta, Ziegler respondeu que “continuar assim, com metade das riquezas do Brasil indo para o pagamento da dívida, é que não é responsável”.

Ele lembrou o caso da Malásia – o exemplo mais citado neste Fórum Social Mundial -, que não seguiu as recomendações do Fundo Monetário Internacional, durante a crise asiática de 1997-98, e se saiu melhor do que os vizinhos que fizeram o contrário, como Indonésia e Tailândia. “E o Brasil não é a Malásia, é um mercado em si mesmo.”