O Itamaraty já teme pela interrupção da operação de resgate de brasileiros do Líbano se os ataques às principais vias de acesso ao país continuarem. Em declarações ao Estado, o chanceler Celso Amorim sugeriu que os brasileiros que ainda estejam no Líbano e que queiram sair do país que o façam assim que possível.

"Está complicado e estamos vendo que a situação ficará ainda mais delicada. Se os bombardeios continuarem no ritmo que estamos vendo, não sei até quando poderemos fazer os resgates e se conseguiremos tirar todos os brasileiros do Líbano que queiram sair ", afirmou o ministro das Relações Exteriores.

A operação de retirada dos brasileiros é a maior das últimas décadas e, tanto em Beirute como na Síria e na base montada de Brasil na Turquia, ninguém se arrisca a calcular quantos brasileiros existem no país em guerra. No total, mais de 2,2 mil brasileiros já deixaram o Líbano.

Ontem, o chanceler ainda pediu que o Ministério protestasse diante do governo de Israel contra a dificuldade que os diplomatas do País estão tendo para entrar no Líbano para ajudar no resgate. Entre sábado e domingo um dos funcionários do governo viajou para a Turquia. De lá, com um carro, percorreu a estrada em direção à Síria, mas não conseguiu entrar no Líbano pela fronteira norte do país.

Normalmente a região é considerada como mais segura. Mas o governo brasileiro não conseguiu o aval de Israel para que o diplomata passasse pela região com o mínimo de segurança. "Os israelenses não estão dando mais garantias para carros individuais", explicou o chanceler, visivelmente irritado com a postura de Israel.

Apesar das dificuldades e das críticas a Israel, o Itamaraty garante que o governo não irá seguir a política da Venezuela de retirar seu embaixador de Tel-Aviv. Um dos principais motivos seria a necessidade de manter um diálogo com o governo israelense exatamente para negociar a saída de comboios de ônibus do Líbano em direção à Síria e Turquia.

Amorim também ensaia uma visita à Beirute. Mas as condições de segurança ainda tornam a visita difícil. Um eventual cessar-fogo ou uma diminuição o ritmo dos bombardeios podem permitir que o chanceler siga ainda nesta semana à capital libanesa.