O Irã se prepara para mais um confronto com o Ocidente sobre seu programa nuclear. O ministro de Relações Exteriores afirmou que a República Islâmica nem considerará a hipótese de obedecer a uma resolução das Nações Unidas que exige a suspensão das atividades de enriquecimento de urânio iranianas até 31 de agosto. Hoje o Exército iraniano testou um novo míssil durante manobras militares.

O porta-voz da chancelaria iraniana, Hamid Reza Asefi, confirmou porém, que o Irã oferecerá, na terça-feira, uma "resposta multifacetada" ao pacote de incentivos proposto por países ocidentais, a fim de convencer Teerã a abrir mão do enriquecimento de urânio, atividade que pode gerar combustível para usinas de eletricidade ou material para armas nucleares. Asefi disse que algum tipo de acordo terá de ser negociado em conversações futuras.

"Não suspenderemos (o enriquecimento). Tudo tem de sair de negociações. A suspensão não está nos nossos planos", disse ele, numa entrevista coletiva. A resolução da ONU que exige a suspensão prevê sanções políticas e econômicas. O Irã considerou a decisão "ilegal".

Os EUA voltaram a advertir que o Irã será punido se não obedecer à resolução. "Já deixamos claro que se o Irã não cumprir com mandado do Conselho de Segurança, agiremos rapidamente, na ONU, para impor sanções", disse a porta-voz da Casa Branca, Emily Lawrimore.

O Irã parece acreditar que os EUA e Israel – os principais propositores de uma postura firme contra o programa nuclear iraniano – estão enfraquecidos no Oriente Médio, após a campanha israelense contra o Hezbollah, no Líbano. "Após a vitória do Hezbollah, o Irã pode se levantar com mais força na defesa de seus direitos", disse Hamid Reza Shokouhi, editor de um jornal conservador iraniano.